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Economia circular: entenda o que é e como funciona

Economia circular elimina a produção de resíduos, permite que os produtos e materiais circulem (e em seu valor mais alto) e foca na regeneração da natureza.

9 de fevereiro de 2022 - 4 minutos de leitura

Autor: Redação

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Em nossa economia atual, exploramos os recursos naturais do Planeta, fabricamos produtos com eles e, eventualmente, os jogamos fora como lixo. Em resumo, o processo é linear. Já a economia circular, como o nome sugere, tem outra proposta. Com foco na regeneração da natureza, ela permite que os produtos e materiais circulem, aumentando a vida útil, além de eliminar a produção de resíduos. Além desse princípio básico, outros norteiam a aplicação da economia circular na prática. Confira a seguir.

Mais de 100 definições para economia circular

A literatura científica e os periódicos profissionais têm mais de uma centena de definições para o que se entende como economia circular. Existem tantas definições diferentes em uso porque o conceito é aplicado por um grupo diversificado de pesquisadores e profissionais. Um filósofo da ciência, por exemplo, enfatiza um aspecto do conceito diferente de um analista financeiro. As definições geralmente se concentram no uso de matérias-primas ou na mudança do sistema. Já as definições que se concentram no uso de recursos, geralmente seguem a abordagem 3-R: Reduzir (uso mínimo de matérias-primas); Reutilizar (reutilização máxima de produtos e componentes) e Reciclar (reutilização de alta qualidade de matérias-primas).

Sustentabilidade é parte do processo da economia circular

A economia circular é uma estrutura de solução de sistemas que lida com desafios globais, como mudanças climáticas, perda de biodiversidade, resíduos, consumo de recursos finitos e poluição, defendendo a transformação de todos os elementos de nosso sistema de coleta e desperdício. 

O processo envolve saber como gerenciamos os recursos, como fabricamos e usamos os produtos e o que fazemos com os materiais posteriormente. Só então podemos criar uma economia circular próspera, que pode beneficiar a todos dentro dos limites de nosso Planeta. É, portanto, um sistema resiliente, que oferece as ferramentas para enfrentar as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade, ao mesmo tempo em que atende a importantes necessidades sociais. Ou seja, bom para os negócios, as pessoas e o meio ambiente. 

Ciclos fechados de materiais

Em uma economia circular, os ciclos de materiais são fechados seguindo o exemplo de um ecossistema. Não existe desperdício, porque cada fluxo residual pode ser usado para fazer um novo produto. As substâncias tóxicas são eliminadas e os fluxos residuais são separados em um ciclo biológico e um técnico. Nesse sistema, portanto, não é apenas importante que os materiais sejam reciclados de maneira adequada, mas também que os produtos, componentes e matérias-primas mantenham uma qualidade alta. Um exemplo é a indústria mineral, que tem mudado a forma como descartava os aço e a borracha dos caminhões fora de estrada usados em suas minas.

Energia renovável

Assim como as matérias-primas e produtos, a energia também dura o máximo possível em uma economia circular, pois o sistema econômico circular é alimentado por fontes renováveis de energia. Um exemplo recente é a iniciativa de fabricantes de veículos elétricos em reaproveitar baterias aposentadas para uma segunda vida como sistema de armazenamento de energia. 

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É o caso da evTS, que recentemente fechou um acordo nesse sentido com a Exro Tecnologies. O teste piloto envolve o desenvolvimento de um meio para otimizar a reutilização da tecnologia de bateria de fosfato de ferro de lítio (LFP) dos veículos elétricos em aplicações de armazenamento de energia estacionária usando o sistema de armazenamento de energia patenteado pela Exro. Os resultados preliminares devem ser divulgados ainda no terceiro trimestre de 2022.

Pensamento sistêmico sustenta o conceito de economia circular

A economia circular não requer apenas ciclos fechados de materiais e energias renováveis, mas também pensamento sistêmico. Cada ator da economia (empresa, pessoa, organismo) está conectado a outros atores. Juntos, eles formam uma rede na qual as ações de um influenciam outros. Para levar isso em consideração, as consequências de curto e longo prazos devem ser levadas em consideração nas escolhas, bem como o impacto de toda a cadeia de valor. Um exemplo concreto está nas pequenas e médias empresas (PMEs), que representam 90% dos negócios globais segundo o Banco Mundial. Elas precisam ser estimuladas a praticar o pensamento sistêmico – geralmente já adotado nas grandes empresas – em economia circular por meio de estímulos econômicos e suporte consultivo.

Quanto vale a economia circular?

Em 2019, mais de 92 bilhões de toneladas de materiais foram extraídos e processados, contribuindo para cerca de metade das emissões globais de CO². O lixo resultante – incluindo plásticos, têxteis, alimentos, eletrônicos e muito mais – prejudica o meio ambiente e a saúde humana. Mas pode ser diferente: a eliminação de resíduos e o uso seguro e contínuo dos recursos naturais oferecem uma alternativa que pode render até US$4,5 trilhões em benefícios econômicos até 2030. Alcançar essa transição, no entanto, requer uma colaboração sem precedentes, visto que hoje apenas 8,6% do mundo são circulares. Em nível global, o Fórum Econômico Mundial tem iniciativas para incentivar o processo, sendo a mais destacada delas a Pace ou Plataforma de Aceleração da Economia Circular, lançada em 2017 e que reúne líderes dos setores público e privado para assumirem compromissos e acelerarem ações coletivas em direção à economia circular.

Realidade brasileira

Na indústria brasileira a economia circular é uma realidade. Sete em cada dez companhias adotam iniciativas para fazer um melhor uso dos recursos naturais, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

O levantamento da entidade indica que, entre as principais práticas listadas estão a otimização de processos (56,5%), o uso de insumos circulares (37,1%), a recuperação de recursos (24,1%) e a extensão da vida do produto (22,9%). Essas ações das empresas reduzem resíduos, gastos de energia e geração de carbono, além de gerar benefícios econômicos. Mais importante que isso: criam a cultura da economia circular e podem influenciar outros setores. 

Mas, apesar de a indústria já ter incorporado algumas práticas de economia circular em seus processos, ainda há um longo caminho pela frente para que se consiga manter, de forma efetiva, o fluxo circular dos recursos ao longo do tempo e fora das instalações das empresas, conseguindo aproveitar ao máximo todas as vantagens dessa nova economia.