Galhos podem ter o segredo para a estrutura de prédios de madeira

Pesquisadora do MIT analisa como usar partes descartadas da madeira na construção sustentável.

5 de maio de 2022 - 2 minutos de leitura

Autor: Redação

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Galhos em “Y” e nós de árvores podem se tornar substitutos do aço em construção sustentável, segundo pesquisa da professora associada ao MIT Caitlin Mueller. Para ela, as partes da madeira, como os nós e os galhos que se bifurcam, normalmente descartadas em obras, podem ser utilizadas na parte mais complexa da base de prédios de madeira. Mesmo nas construções sustentáveis, essas partes da madeira são queimadas, usadas como pallets ou como serralheria. Mueller quer mudar essa realidade.

Prédios de madeira: aprendendo com a natureza das árvores

“O maior valor que você pode dar a um material é dar a ele um papel de suporte de carga em uma estrutura”, disse ela à equipe de comunicação do MIT. “Os galhos bifurcados das árvores são conexões estruturais projetadas naturalmente, que funcionam como balanços nas árvores, o que significa que eles têm o potencial de transferir força de forma muito eficiente graças à sua estrutura interna de fibra”,continuou a professora.

A partir de análise 3D e de reimpressão dos galhos, o laboratório chefiado por Mueller começou a perceber que os pedaços de madeira antes descartados podem ser parte importante de uma construção sustentável. “Se você pegar um garfo de árvore e cortá-lo ao meio, verá uma rede inacreditável de fibras que se entrelaçam para criar esses pontos de transferência de carga geralmente tridimensionais em uma árvore. Estamos começando a fazer a mesma coisa usando a impressão 3D, mas não estamos nem perto do que a natureza faz em termos de orientação e geometria de fibra complexa.”

Do digital à arquitetura dos galhos

A pesquisadora e sua equipe desenvolveram um “fluxo de trabalho do projeto à fabricação” de cinco etapas que combinam estruturas naturais, como garfos de árvores, com as ferramentas digitais e computacionais agora usadas no projeto arquitetônico. Enquanto há muito tempo existe um movimento “artesanal” para usar madeira natural em guarda-corpos e elementos decorativos, o uso de ferramentas computacionais possibilita o uso da madeira em funções estruturais — sem corte excessivo, o que é caro e pode comprometer a geometria natural e o veio interno da estrutura da madeira.

Mueller acredita que sua abordagem é “pelo menos potencialmente escalável e potencialmente alcançável em nossos sistemas de processamento de materiais industrializados”. Além disso, ao combinar bifurcações de árvores com ferramentas de design digital, a nova abordagem também pode apoiar a tendência entre os arquitetos de explorar novas formas. “Muitos edifícios emblemáticos construídos nas últimas duas décadas têm formas inesperadas”, diz Mueller. “Os galhos das árvores têm uma geometria muito específica que às vezes se presta a uma forma arquitetônica irregular ou fora do padrão – impulsionada não por algum algoritmo arbitrário, mas pelo próprio material”.