Na MRV&CO, inovamos o tempo todo. E para isso ser possível, é essencial ouvir muito, e sempre, nossos clientes. Estarmos atentos ao que eles pensam e sentem, saber do que necessitam e gostam, o que julgam importante, entender onde e como nós podemos melhorar; tudo isso faz parte do nosso dia a dia.

Para mim, como gestor, esse feedback é muito valioso. Quero que a aplicação do investimento seja sempre a melhor possível. Quero reduzir ao mínimo o risco de comprometer a satisfação e o encantamento do cliente. Quero que as soluções entreguem o que ele precisa, superem expectativas. Toda informação e toda opinião podem se transformar em aprendizado, e isso é muito bom.

Pensar nesse jeito de trabalhar tão constante me faz refletir sobre como planejamos nossas iniciativas sociais, ambientais e de governança.

Se para criar produtos e serviços somos dispostos a olhar e ouvir o cliente, compreender o que ele quer e do que precisa, será que quando o assunto é planejar ações em ESG nós fazemos o mesmo?

Recentemente, falei aqui dos critérios que considero primordiais para direcionar esforços no empreendedorismo social – entre eles a relevância das ações. Hoje vou me aprofundar nisso, por causa dessa reflexão e porque, discutindo o tema e conhecendo movimentos diversos em ESG, sinto que, às vezes, nos sobra boa vontade mas falta um pouco mais de estratégia e gestão.

Eu sei, é uma percepção contundente, mas também instigante: pode estar tudo correndo bem nas questões técnicas, de estrutura, de alinhamento institucional das nossas ações ESG; mas… estamos realmente fazendo o que é mais relevante para o outro – o nosso “público-alvo”, os grupos, pessoas e lugares que queremos atingir?

A largada do empreendedorismo social nas organizações, via de regra, é a compreensão de um problema a ser resolvido e o que faremos a respeito, dentro das possibilidades. Isso é ótimo, mas será que aquele é o “problema certo”? Estamos considerando o básico, o maior benefício com o menor investimento? Não estaríamos pautando decisões como gestores de investimento social apenas naquilo que nós mesmos julgamos importante?

É claro que toda ação que traz melhorias é bem-vinda. Há sempre muito a fazer – infelizmente, não existe carência de carências no Brasil… Mas falo de prioridades. Em um contexto de recursos limitados, a escolha do problema a ser atacado já é por si fator crucial.

Acredito que o passo inicial, acontece antes mesmo de entender os problemas. Trata-se de definir (às vezes, descobrir!) aqueles que são realmente prioritários. E isso se faz com dados, observação e, principalmente, com disposição para exercitar uma escuta ativa.

Como empresas, podemos partir de nossas próprias premissas, mas elas têm que estar abertas a absorver o que as pessoas, as comunidades-alvo e as mentes pensantes e pulsantes têm a nos mostrar: o que é mais importante ali? Tentar responder a essa pergunta apenas por nossa conta limita a “eficiência em ESG”.

É como diz a placa que sinaliza a travessia da linha de trem: pare, olhe, escute. Ao cruzar a barreira das nossas próprias crenças, muito provavelmente vamos aumentar nossa taxa de acerto e otimizar os recursos e a energia empregados. Afinal, seja em negócios, seja em ESG, a intervenção mais cara é sempre aquela que não é plenamente utilizada!

O “colocar-se no lugar do outro”, a escuta ativa, o entendimento das maiores necessidades, tão naturais ao desenvolvimento de soluções para os clientes, precisam ser aplicados também à gestão social-empreendedora. É o ESG do mundo real – e do mundo que queremos ajudar a construir.

* Eduardo Fischer é CEO da MRV, empresa do grupo MRV&CO, uma plataforma habitacional composta por marcas que oferecem a solução de moradia adequada para cada necessidade e momento de vida.