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Pilares ESG: saída da Tesla do S&P 500 ESG levanta alerta sobre transparência

Mesmo com o produto final sustentável, companhias precisam ficar cada vez mais atentas a transparência de informações e a atividades da cadeia produtiva.

2 de junho de 2022 - 2 minutos de leitura

Autor: Redação

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A fabricante de carros elétricos Tesla ficou de fora do S&P 500 ESG Index, o principal índice de sustentabilidade e pilares ESG do mundo. A decisão não só surpreendeu investidores, como também ligou o sinal de alerta para o mercado: está na hora de prestar atenção na transparência das informações.  

“Alguns dos fatores que contribuíram para sua pontuação ESG de 2021 foram um declínio nas pontuações de nível de critérios relacionados à estratégia de baixo carbono e aos códigos de conduta empresarial da Tesla”, escreveu a diretora sênior e chefe de índices ESG para a América do Norte da S&P Dow Jones Indices, Maggie Dorn

Transparência, transparência e transparência

A surpresa do mercado com a saída da Tesla veio porque a empresa tem na sua missão o objetivo de “acelerar a transição de matriz energética do mundo”. No entanto, a análise ESG não leva em conta apenas o produto final, mas também para como ele é feito  e qual o esforço das companhias para reduzirem os impactos negativos do processo de produção. 

Um outro ponto que pesou negativamente para a empresa de Elon Musk foi a falta de clareza com o seu plano para reduzir as emissões de CO2. O relatório de emissões de Gases de Efeito Estufa da Tesla, por exemplo, foi lançado pela primeira vez este ano e não contava com governança ou estratégia de descarbonização das suas próprias operações.

O “S” do ESG

Outro ponto que pesa contra a companhia, e serve de alerta para todas as organizações, são as denúncias de discriminação racial e más condições de trabalho nas fábricas montadoras do carro elétrico da Tesla. A S&P Dow Jones chamou a atenção para o código de conduta empresarial, que traz aspectos do “Social” e da “Governança” dos pilares ESG. 

Além disso, as investigações sobre mortes causadas por sistemas autônomos dos carros elétricos e por conta de possíveis explosões também impactaram negativamente a pontuação da companhia, resultando em sua retirada do S&P 500 ESG Index. 

Pilares ESG x Greenwashing

Até então uma importante voz em favor da “virada verde”, Elon Musk, obviamente, não gostou da decisão e foi a público criticá-la abertamente, questionando, inclusive, a própria abordagem ESG.

No ano passado, o empresário criou um concurso com um fundo de US$ 100 milhões para empresas que fossem capazes de criar tecnologias para remover o carbono do ar. O bilionário também está pesquisando como transformar o CO2 em parte de combustível para os foguetes da SpaceX. E, no final de maio, pesquisadores da Tesla anunciaram ter descoberto parte de um design para a bateria dos carros “durarem 100 anos”. 

O desafio talvez seja transformar todas essas ações práticas em indicadores capazes de serem medidos, compartilhados com o mercado de forma mais clara, recorrente e objetiva, e melhorados progressivamente, não apenas com foco no resultado final, mas contemplando todo o processo produtivo e a forma com a empresa se relaciona com seus diferentes públicos de forma transversal, afinal, chegar a um objetivo já não é mais o suficiente, como chegar a ele é tão importante quanto. Como bem escreveu a especialista em ESG, Maria Eugênia Buosi: “ESG é prática diária”. 

Agora o mercado espera pelos próximos capítulos até a próxima avaliação. Como escreveu a especialista da S&P, Maggie Dorn, “a beleza da análise anual do índice é que a empresa terá a oportunidade de ser analisada e pode ser reincluída no índice nos próximos anos”.