Quando a escritora russa Ayn Rand imaginou a cidade utópica que descreveu em sua trilogia A Revolta de Atlas, em que tudo funciona, tudo é de qualidade e que conta com tecnologias ultra avançadas, não podia imaginar que um dia essa cidade pudesse se tornar realidade – embora as semelhanças com a ficção sonhada por Rand parem por aí.

Telosa, como é chamada a cidade do mundo real, promete ser um centro urbano com mais de 5 milhões de habitantes, com investimentos que podem superar US$ 500 bilhões, e que almeja ser uma cidade do futuro com oportunidades para todos seus habitantes.

Projetada pelo bilionário norte-americano Marc Lore, Telosa deverá ser construída em algum lugar do sudoeste americano e adotará um modelo inovador. “Imagine viver em uma cidade com um sistema econômico no qual os cidadãos têm uma participação na terra”, diz o manifesto oficial do projeto, traduzindo o conceito de equitismo.

Imagem por: cityoftelosa

Prosperidade compartilhada guia Telosa como cidade do futuro

De acordo com o site oficial de Telosa, todas as terras serão doadas à comunidade, que usará os valores crescentes para financiar serviços públicos aprimorados, considerados os blocos de construção da prosperidade. Eles envolvem: educação de maior qualidade, acesso ampliado à casa própria, saúde e bem-estar aprimorados, oportunidades de negócios mais inovadoras e empregos expandidos, além do retreinamento. “Isso proporcionará um acesso mais amplo a oportunidades e uma maior prosperidade compartilhada para todos os cidadãos. Equitismo é crescimento inclusivo”, destaca o manifesto oficial de Telosa. 

Na prática, a iniciativa de Marc Lore é construir uma nova cidade a partir do zero e evitar os problemas legados de infraestrutura e políticas que restringem o que pode ser desenvolvido. Como um redesenho do modelo de cidade atual, Telosa colocaria as necessidades das pessoas no centro do projeto urbano. Telosa também se beneficiaria do conhecimento, inovação e experiência adquiridos em outras cidades nos Estados Unidos. “Podemos construir a cidade mais sustentável e resiliente que servirá de modelo para ajudar os residentes ao longo do caminho”, defende o site oficial do projeto.

Apesar de não ter definido ainda o local de Telosa, sabe-se que ela deverá ser erguida em algum local  entre os estados de Nevada, Utah, Idaho, Arizona, Texas e a região dos Apalaches. Outro dado importante sobre a cidade é o perfil dos futuros moradores – principal alvo do empreendimento. A informação é que Telosa não será uma cidade particular e sim uma iniciativa inclusiva. “Assim como muitos de nossos predecessores, os residentes iniciais serão pioneiros, como empreendedores em todas as indústrias, educadores, fabricantes, artistas, estudantes, construtores, telecomutadores, mentores e corporações”.

Antes que se pense em Telosa como uma utopia, o manifesto do projeto deixa claro a consistência da iniciativa. Ela deverá se basear em soluções sustentáveis de infraestrutura, design urbano, vitalidade econômica e serviços urbanos. As possíveis falhas já estão computadas no processo, afastando a ideia de utopia.

Em termos práticos, Telosa deve ser um local integrado à natureza para recreação ao ar livre e uma área urbana a 15 minutos do local de trabalho. A qualidade do ar será mantida ao não permitir veículos movidos a combustíveis fósseis. Já a infraestrutura verde, incluindo edifícios, vias públicas e espaços abertos, deverá facilitar a permeabilidade da água para reservatórios subterrâneos.

Na linha do tempo, os criadores da cidade do futuro prevêem que ela comece a receber os primeiros moradores em 2030, com investimentos que podem superar os US$ 500 bilhões. O projeto será dividido em várias fases ao longo de décadas. “Prevemos que custará mais de US$ 25 bilhões para a fase inicial (50.000 residentes) e mais de US$ 400 bilhões para a construção da cidade”, diz o site oficial. O financiamento virá de várias fontes, incluindo investidores privados, filantropos, subvenções federais e estaduais e subsídios para o desenvolvimento econômico.