Segundo uma longa reportagem do site Politico, a disputa pelos trabalhadores remotos é uma nova tendência urbana. A pandemia criou uma dispersão geográfica ainda não entendida por demógrafos, economistas, empregadores, desenvolvedores e governos, mas que foi identificada por alguns trabalhadores visionários. E essa mão de obra de vanguarda está se dirigindo para cidades onde eles, de fato, queiram morar, deixando locais onde se estabeleçam em função da oferta de empregos.

Milhões de americanos se mudaram nos últimos 18 meses, muitos deles estimulados ou influenciados pela pandemia. As escolhas são individuais e confirmam uma desconfiança dos especialistas, a de que é “perigoso buscar padrões simples e conclusões fáceis em processos demográficos complexos, como a resposta dos americanos à Covid-19”. Para a reportagem, a pandemia redefiniu as escolhas e aspirações residenciais de milhões de americanos, de uma forma que vai durar muito depois que a emergência da Covid-19 diminuir. “Esses milhões de escolhas individuais juntas somam forças que podem sustentar, remodelar – e às vezes desfazer – cidades e comunidades em todo o país”, aposta o site.

Tendências demográficas são complexas

O movimento provocado pela Covid-19, no entanto, não mostra o surgimento de cidades fantasmas como se pensou no começo da pandemia. De acordo com o CityLab da Bloomberg, iniciativa da agência de notícias, não há um movimento generalizado de pessoas pensando em sair das áreas urbanas. Ou seja, não haveria um êxodo urbano e sim uma “confusão urbana”.

Nas palavras de Matt Mowell, um economista sênior da empresa imobiliária CBRE, “a imigração parou em 2020” sob restrições de pandemia, contribuindo para a queda acentuada da população em Nova York e outros centros de imigração. Em resumo: a pandemia teria acelerado e reforçado tendências já em andamento.

Na prática, cidades das regiões do Sunbelt e do Western que já estavam crescendo fortemente, continuam crescendo. A lista inclui Tampa, Sarasota, Atlanta, Nashville, Denver, Phoenix, Boise, Sacramento e Riverside, entre as principais. No caminho contrário, cidades pós-industriais, que perderam habitantes por décadas, continuaram perdendo, embora o fluxo de saída tenha diminuído em algumas. Nessa segunda lista estão Baltimore, St. Louis, Detroit e Milwaukee. E há ainda aquelas onde o crescimento ou declínio é lento, o que passa a impressão de que estão paradas.

Por outro lado, São Francisco, São José, Nova York – em particular Manhattan – e Boston são um capítulo à parte. Suas populações, impulsionadas pelos booms tecnológicos e financeiros, mantiveram-se fortes até a pandemia, mas sofreram as maiores taxas de emigração entre as principais áreas metropolitanas. Mas, atenção: a perda de Boston, por exemplo, começou a ser revertida com a reabertura das faculdades. Nova York, por sua vez, está mostrando sinais de recuperação. Os dois casos confirmam que tendências demográficas são complexas e não acontecem de um dia para outro.