A futura implantação das redes de quinta geração (5G) de telefonia móvel deve impulsionar os projetos de cidades digitais, na avaliação do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet. Entusiasta do tema, o executivo lembra que a tecnologia precisa ser acompanhada de políticas públicas e da participação de outros atores sociais, além do próprio governo. “O poder disruptivo da nova rede vai permitir um salto tecnológico industrial com mudanças expressivas nos modos de produção e na modelagem de negócios”, resume Calvet, em artigo publicado no portal Connected Smart Cities.

Segundo ele, os impactos devem acontecer em vários setores industriais e também nos projetos de cidades inteligentes, uma vez que as redes 5G devem pavimentar uma série de serviços.

Poder público deve ser mediador da digitalização das cidades

As cidades, de acordo com dados do Banco Mundial, vão concentrar 70% da população até 2050, o que reforça o papel público como mediador da digitalização. E, no Brasil, já existem iniciativas nesse sentido, incluindo programas de vigilância pública, de modo que diferencial com o 5G será a menor latência (atraso) na transmissão de dados e imagens. Com isso, avaliou Calvet, haverá a tendência de mais aplicações de sensoriamento usando, por exemplo, as tecnologias de Internet das Coisas (IoT).

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Projeto piloto em Londrina testa recursos para 5G e cidades inteligentes

Na prática, projetos piloto como o de Londrina (PR) mostram a viabilidade das cidades inteligentes. A cidade escolheu uma rua, em parceria com o Parque Tecnológico Itaipu, para testar as tecnologias de digitalização no mundo real. A Rua Sergipe, uma via importante de comércio da cidade, com cerca de 400 comerciantes, está tendo recursos de segurança pública e, ao mesmo tempo, a prefeitura da cidade avalia os resultados em relação às vendas.

Com o tempo de resposta menor, projetos que hoje parecem complexos, como o de carros autônomos, devem ser uma realidade, assim como outros exemplos. É o caso do setor da saúde, já que as redes 5G permitem interconectar ambulâncias a centros médicos com a ampliação das chamadas de telemedicina, serviços de telemonitoramento e até teleinterconsultas para otimizar o socorro imediato a pacientes.

A gestão de energia, com antecipação de falhas e redirecionamento de fornecimento é outro processo. O uso de IoT para monitorar subestações é uma realidade atual, que deve ganhar mais recursos, limitando o envio de equipes presenciais a somente casos necessários.

Independente da cidade, porém, o desafio é a implantação da infraestrutura física das novas redes. “A instalação das bases para o funcionamento do 5G é complexa e de alto custo. Serão necessários investimentos vultosos. Levantamento realizado pelo IDC, por exemplo, mostra que o investimento em cidades inteligentes pode chegar a US$ 203 bilhões globalmente até 2024”, detalha o presidente da ABDI.