Casas de Paraisópolis entram no Google Maps

A partir de parceria entre a Big Tech e varejistas, Paraisópolis amplia o acesso a serviços de delivery e de transporte.

17 de junho de 2022 - 2 minutos de leitura

Autor: Redação

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Em um mundo de Uber, iFood, Amazon… Onde tudo pode ser comprado com um clique e as companhias avançam para oferecer tudo em casa, estar no mapa é crucial. E não só no mapa, mas nos aplicativos de mapa. Considerando que 17 milhões de brasileiros ainda não têm um endereço formal, a inclusão digital tem uma barreira clara: a forma clássica de se mapear. Mas, se a tecnologia resolve a vida daqueles que querem receber tudo em casa, ela também pode criar formas de localizar essas casas. É o que o Google, em parceria com a Americanas e a Favela Brasil Xpress estão lançando em Paraisópolis, São Paulo. 

Código no lugar de CEP para mapear Paraisópolis

Uma combinação de letras e número será a nova “localização” das casas de Paraisópolis. Na prática, cada morador receberá um código, o Plus Codes. Então, basta colocar esse código para realizar o pedido em e-commerces da Americanas, e para acionar o serviço de ambulâncias ou aplicativos de ride sharing, ou seja, de compartilhamento de carros, que usam o Google Maps. Como muitos outros serviços, como o Waze ou o iFood, se baseiam no app de mapas do Google, os Plus Codes acabam virando uma porta de entrada para mais essas facilidades. 

A tecnologia permite converter os Plus Codes, que são códigos curtos como códigos postais – o tradicional CEP – em latitude e longitude, que são as coordenadas informadas no GPS. “Não queremos ser separados por CEPs, somos parte do Brasil e precisamos ser localizados, utilizando nossos endereços para ações básicas e de direitos, por exemplo”, disse o presidente do G10 Favelas Gilson Rodrigues, à revista Exame.

Efeito na hora

A ação começa em um projeto piloto voltado para 4 mil famílias e deve ser ampliada para toda a favela, hoje com 100 mil pessoas. A inclusão social, nesse sentido, vem a partir da entrada dos moradores como parte da economia digital.  “Tenho quatro filhos (de 12, 14, 18 e 21 anos), moro com os três mais novos e amamos comprar. A novidade vai facilitar muito para nós. Eu já tive que, por exemplo, esperar o salário cair para pegar duas conduções e ir buscar um produto. Agora isso vai mudar”, disse Alexandra Pereira Silva, de 46 anos, à revista Exame.