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Catalisando a mudança

A engrenagem que transforma para o bem – de todos.

21 de fevereiro de 2022 - 3 minutos de leitura
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por: Eduardo Fischer CEO da MRV

Início de ano: tempo de revisitar ideias, desenhar estratégias, refletir. Também é quando chega a líderes de empresas de todo o mundo a carta anual de Larry Fink, CEO da BlackRock, multinacional norte-americana de gestão de investimentos. Ela se consolidou, ao longo do tempo, como referência encorajadora para gestores sobre o que está no norte dos investidores, sintetizando tendências e expectativas e inspirando a gestão voltada para retornos duradouros aos acionistas.

Um dos pontos de destaque da leitura para 2022 é a visão do “capitalismo de stakeholders” como catalisador de mudanças, mais especificamente das mudanças que estão em sintonia com o momento atual – ajudando as pessoas a construírem um futuro melhor, impulsionando a inovação, fortalecendo economias e trazendo respostas para desafios sociais e ambientais que enfrentamos.

A mensagem é clara: empresas verdadeiramente excelentes, em que investir será melhor e mais seguro, operam com um senso claro de propósito e valores consistentes. E, de forma crucial, reconhecem seu papel social e a importância de se envolver, agindo no interesse de seus colaboradores, clientes, fornecedores, comunidades… Em outras palavras, quem tem melhor desempenho segue a lógica de que criar valor para esses agentes está estreitamente ligado a gerar valor para acionistas e investidores.

É natural que essa dinâmica do capitalismo de stakeholders seja determinante para o sucesso no ambiente interconectado em que vivemos. E dela vem um novo paradigma de resultados corporativos que já comentei anteriormente, em que performance de negócios e performance social andam juntas. Criar as condições para a transformação, para impactos perenes, fazer a diferença: quem não atua assim fica para trás. A inércia das corporações gera prejuízos para elas mesmas, para a sociedade, para economias no cenário global.

Ou seja, não se trata de uma agenda política ou ideológica – e sim de uma engrenagem que define o mercado como o mundo agora exige. O capitalismo em si sempre teve o poder de moldar a sociedade; hoje ele é, em sua melhor versão, “conduzido por relacionamentos mutuamente benéficos entre você e os funcionários, clientes, fornecedores e comunidades dos quais sua empresa depende para prosperar”, nas palavras de Fink.

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Menciono isso porque a carta não ficou imune a críticas – muitas por afirmar que “nos concentramos em sustentabilidade não porque somos ambientalistas, mas porque somos capitalistas e fiduciários para nossos clientes”. Entendo que longe de colocar empresas e meio ambiente em lados opostos ela sinaliza justamente o contrário! Aqueles que debatem seriamente o tema e se aprofundam nele têm a visão alinhada de que capitalismo e ESG não são antagônicos, e sim complementares: os resultados financeiros e a relevância social e ambiental são objetivos indissociáveis para a sustentabilidade dos negócios (e do planeta), como motivações de diferentes origens que se alimentam, e que são impulsionadas por uma nova pressão social. O valor que uma empresa ganha ao se adaptar realmente a esse movimento é inegável. Digo “realmente” porque o radar deve estar ativo: deslizes como greenwashing e iniciativas superficiais não são aceitáveis.

Fico feliz de ver que as mudanças que queremos – como empresas participantes da grande engrenagem, como líderes e como indivíduos – têm que estar no mesmo barco da “segurança financeira”. Não é fazer o bem por fazer, e sim como uma resposta equilibrada ao que negócios, investidores e sociedade esperam e demandam.

O que impulsiona o ESG para dentro das companhias hoje vai muito além da força econômica! É nesse caminho sem volta que estamos evoluindo. E que bom viver um tempo em que relações virtuosas que levam a futuros melhores são também as mais promissoras para negócios e investidores, não?

* Eduardo Fischer é CEO da MRV, empresa do grupo MRV&CO, uma plataforma habitacional composta por marcas que oferecem a solução de moradia adequada para cada necessidade e momento de vida.