As cidades inteligentes precisam de uma infraestrutura física bem resolvida, mas os requerimentos devem ir além: elas têm que ter um plano de backup para sua infraestrutura digital. Para Lauren Sorkin, diretora Executiva da Rede de Cidades Resilientes (R-Cities), a infraestrutura digital é considerada como crítica para fornecer serviços de saúde, educação e finanças, entre outros e por isso as cidades estão implementando mais ferramentas digitais como parte de seus sistemas de preparação para emergências.

Os recursos incluem mapas de risco, de ondas de calor, modelagem 3D, drones e sensores de terremotos e inundações e, segundo Lauren, agora as cidades precisam ter estratégias de redundância para tornar essas soluções resilientes. “E isso não envolve apenas tecnologias”, disse ela em uma reportagem da Cities Today. Ela destaca que é preciso operar com ferramentas digitais e, em paralelo, investir em processos e em recursos humanos.

New Orleans migra data center para a nuvem e outros avanços digitais

Para Kimberly Walker LaGrue, CIO da cidade de New Orleans, a resiliência digital começa com a comunicação. Ela aprendeu lições com o furacão Katrina, com um ataque cibernético, com a Covid-19 e, mais recentemente, com a tempestade Ida, bem como com sua carreira anterior como engenheira de telecomunicações. “Toda a nossa recuperação de desastres e resiliência precisa ser construída em torno da manutenção da capacidade de comunicação, especialmente com os cidadãos”, argumentou. “A partir daí é que realmente começa o planejamento e a construção da resiliência digital”, disse.

A resiliência digital em New Orleans avança com a transferência de seu data center para a nuvem. Além disso, conforme a cidade considera o potencial para investir em mais soluções de Internet das Coisas (IoT) e sistemas conectados em áreas-chave da administração pública, como segurança e transporte, a equipe de LaGrue atua criando um conjunto de requisitos que abrangem a segurança cibernética, bem como uma resiliência digital mais ampla para ajudar a assegurar continuidade nas comunicações e serviços.

Roterdã faz varredura de resiliência cibernética

Roterdã, na Holanda, também está se concentrando especificamente na infraestrutura digital. Além de um diretor de resiliência atuando desde 2014, a cidade também tem um oficial de resiliência cibernética dedicado. Os dois estão trabalhando juntos para criar uma visão geral dos riscos cibernéticos e mapear todos os sistemas vulneráveis ​​e críticos. O processo incluiu uma varredura recente da resiliência cibernética na infraestrutura relacionada à água da cidade, incluindo as estações de bombeamento.

Milão faz backup digital nos sistemas

Milão é outro exemplo dessa tendência. Na cidade italiana, as iniciativas incluem o backup de sistemas digitais e estão, inclusive, servindo como mote para repensar o planejamento urbano.

As autoridades milanesas identificaram a necessidade de mover algumas infraestruturas subterrâneas, como distribuição de energia e equipamentos de telecomunicações, para a superfície. Outra possibilidade é tomar medidas para isolá-las melhor de inundações segundo Piero Pelizzaro, diretor de resiliência da cidade.

A infraestrutura digital de Milão também corre o risco com o aumento das tempestades de vento, a mesma ameaça que acontece no estado americano do Texas. Em resumo: ambos necessitam de backup digital.