Cidades precisam de radares para calçadas?

Nos Estados Unidos, sistemas de monitoramento de trânsito se voltam para as calçadas para analisar a segurança de pedestres frente aos patinetes elétricos.

25 de março de 2022 - 3 minutos de leitura

Autor: Redação

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Parece estranho, mas os radares para calçadas já são uma realidade e podem estar cada vez mais presentes nas cidades do futuro. Isso porque, o convívio nas calçadas entre pedestres e veículos “motorizados” alternativos, como e-scooters e hoovers, tende a ser cada vez mais necessário. Dessa forma, para manter a segurança de todos, o monitoramento, como já é feito com os veículos no asfalto, é uma possibilidade.

Nos Estados Unidos, esse é exatamente o trabalho da startup de robótica Superpedestrian. A empresa, que nasceu do Massachusetss Institute of Technology (MIT), criou um sistema para detectar problemas em scooters e patinetes elétricos. Depois, eles perceberam que tal plataforma também poderia ser usada para analisar se esses veículos estavam transitando em velocidade alta ou se estariam andando na contramão das vias.

À luz dos movimentos de cidades compactas e cidades de 15 minutos, conseguir deixar a calçada mais segura para os pedestres é essencial para o urbanismo do futuro. Nos países norte americanos, assim como na Europa, a demanda por esse tipo de monitoramento já está na agenda do planejamento urbano. Cidades como Chicago e Paris, por exemplo, já exigem que os patinetes elétricos em circulação tenham esse sistema de monitoramento, que deve ser instalado pelas operadoras dos equipamentos.

Radares para calçadas, segurança de pedestres e condutores

radar

Diferentemente de um radar de veículos, o sensor de e-scooters e de patinetes elétricos deve analisar se o aparelho está andando em área permitida, como também se ele não está interferindo no espaço dos pedestres. São algoritmos que conseguem detectar quando o patinete está na calçada ou no asfalto. Se for detectado alguma irregularidade, o sistema trava o patinete elétrico. A ideia, a princípio, é educar os usuários e ajudá-los a guiar as melhores práticas dentro da cidade.

Companhias como a Bird, que oferece aluguel de patinetes, já incorporaram em seus sistemas as plataformas de monitoramento. São sistemas capazes de bloquear completamente o uso do patinete, caso ele esteja infringindo alguma regra de segurança para os pedestres. Em entrevista ao Smat City Dive, o diretor da Superpedestrian Paul White explicou que, em algumas cidades, os scooters podem andar nas calçadas, em outras, o espaço é mais fechado. Dessa forma, os radares precisam ser calibrados para cada lugar.

“É muito claro que as frotas de scooters terão que ser gerenciadas para a segurança dos condutores, em geral, e para a segurança dos pedestres, em particular. Não acho que a indústria vá embora sem isso, mas certamente reduziria nossa capacidade de aumentar frotas e trazer scooters para novas partes da cidade e construir aliados e boa vontade para o setor. [Fornecedores de scooters] que não podem entregar vão achar muito difícil operar”, afirmou White, apontando uma limitação da iniciativa ser obrigatória. 

Radares para calçadas para evitar conflitos

Tão logo as “brigas” entre motoristas de patinetes e pedestres começaram, as prefeituras já criaram regras para não deixar que os aparelhos transitassem em calçadas. Algumas chegaram a proibir o uso completo de serviços de aluguel de patinetes elétricos, como foi o caso de Nova Iorque, que não permite o uso dos aparelhos em Manhattan.

A proibição, no entanto, não evita que os usuários continuem a usar os patinetes nas calçadas. “Algumas cidades acreditam que o desconforto nas calçadas e a reclamação dos pedestres é uma gota no oceano em comparação com os problemas que acontecem nas vias com os carros”, disse White. Mas as cidades precisam saber navegar entre a tensão criada pela liberdade e pela flexibilidade dos aparelhos como patinetes e e-scooters.