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De Smart para Green City: Toronto mostra sua versão de cidade do futuro

Mais parques e menos espaços digitais. Green city é a resposta do Canadá como modelo de smart city.

3 de agosto de 2022 - 3 minutos de leitura

Autor: Redação

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No lugar de chips e Internet of Things (IoT) a smart city será um lugar de pássaros e belezas naturais. Essa é a tendência de urbanismo que Toronto, no Canadá, mostra em um novo projeto para revitalizar a área em volta do lago Ontário: a green city é a nova smart city.

Reprodução: Site Urbanland

Em fevereiro deste ano, a cidade canadense anunciou um novo projeto para redesenhar os piers em volta do lago, chamado de Waterfront. Assinado por uma série de estúdios de design, o espaço terá 800 apartamentos com preços acessíveis, uma fazenda no rooftop, espaços de arte e um parque florestal. Os prédios são cheios de verde, feitos com madeira, no estilo “urban jungle” (floresta urbana). 

Green city – a cidade inteligente das maravilhas

O plano para o Waterfront não teria chamado atenção se não fosse um detalhe: o projeto veio para substituir uma área “prometida” ao Sidewalklabs, do Google. Em 2017, o laboratório de smart city da Alphabet havia proposto – e ganhado – o edital para construir um hub urbano otimizado e hightech.

Na época, o espaço tinha até mesmo um nome diferente: Quayside. E era palco para os planejamentos mais ousados do Google com relação a uma smart city. Toronto seria um modelo de smart city para o Sidewalklabs, com direito a um tráfego autônomo e elétrico, calçadas térmicas, coleta robótica de lixo e um monitoramento extenso do uso dos dados do espaço a partir de dispositivos de internet of things.

O projeto seria a prova de que bairros com sensores funcionam. Até que veio 2020 e a incerteza econômica com a pandemia da Covid-19 levou o Sidewalk a reconsiderar os projetos. De acordo com o MIT Tech Review, os canadenses apresentaram objeções a se tornar um laboratório a céu aberto do Google. Preocupações com relação ao uso dos dados e à privacidade foram tantas que levaram a uma rejeição da presença da Alphabet ali, o que ajudou a cancelar o processo todo.

Green city é mais poderosa

Reprodução: Site Arch Daily

O novo projeto Waterfront Toronto mostra árvores e vegetação vindo das varandas, e afloramentos possíveis, sem espaços para veículos autônomos e drones. Os estúdios responsáveis pelo Quayside 2.0 descrevem o novo bairro como um “refúgio bucólico” e não como uma utopia hightech.

Para quem vê os detalhes, o plano promove a noção de que a cidade do futuro será “green”, metafórica e literalmente. No vídeo promocional do projeto a cidade cita a “importância da vida humana, da vida vegetal e do mundo natural”. A visão é assinada por David Adjaye e Allison Brooks Architecture, que prometem uma construção com zero emissões de carbono e um bairro que privilegia a vida no lugar da tecnologia.

O que significa ser smart?

A cidade inteligente tem sido tema de conversas no urbanismo nas últimas décadas. O termo, cunhado pela IBM, foi feito na esperança de que a tecnologia e a monitoração da cidade em tempo real pudesse melhorar a forma com que as pessoas e as cidades funcionavam. O pensamento era que as soluções digitais poderiam fazer melhor do que os humanos. 

Até mesmo a expressão “smart city” traz a ideia de que as cidades existentes carecem de poder cerebral, embora tenham sido – ao longo da história humana – incubadoras de cultura, ideias e intelecto. A crítica é válida e vem junto de uma mudança também na nossa visão sobre o que significa digitalizar a vida.

A própria noção de que a tecnologia pode melhorar tudo foi colocada em xeque nos últimos anos. Vazamentos de dados, fake news, assédios online, fraudes digitais… Tudo isso levou a um entendimento diferente do que significa ser smart. A pergunta que Toronto traz para as cidades como um todo é: a tecnologia melhorou a produtividade de todos, mas ela tornou a vida melhor?  A volta para o verde e para a vida em comunidade como uma saída sustentável mostra que, nem sempre, a resposta para melhorar a qualidade de vida está apenas no digital. Em Toronto, uma das principais planejadoras fala sobre como o novo projeto vem para atender a uma das demandas mais latentes da cidade: a acessibilidade à moradia. E essa demanda não é necessariamente respondida com tecnologia. Afinal, uma cidade inteligente pode ser também uma cidade que demonstra inteligência. É o que Toronto está tentando mostrar.