Estacionamentos: mais um lugar para transformar as cidades

Bolsões de estacionamentos impactam quando estão cheios - e também quando estão vazios.

17 de fevereiro de 2022 - 2 minutos de leitura

Autor: Redação

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As vagas de estacionamentos nas ruas, ou a falta delas, mudam o jeito que as pessoas interagem com a cidade e devem ser levadas em consideração quando falamos de transformação do espaço urbano. 

De acordo com o Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento (ITDP), as vagas excessivas de estacionamento nas ruas têm um impacto negativo na mobilidade das cidades. Não só porque elas estimulam o uso dos carros em detrimento ao transporte público, mas também porque podem ser um peso para as contas públicas, se não houver uma estratégia de cobrança devida por parte dos municípios.

Os carros ocupam mais metros quadrados urbanos no estacionamento do que se locomovendo. Isso porque, para criar uma vaga de estacionamento é preciso possibilitar mais distanciamento entre os veículos e considerar as áreas de manobra, o que pode resultar em um espaço com o dobro do tamanho de um automóvel. De acordo com este estudo feito pela pesquisadora da USP Helena Degreas, só em São Paulo, as vagas destinadas à Zona Azul ocupam cerca de 495 mil metros quadrados – considerando que todas as vagas sigam as dimensões mínimas de 11 metros quadrados. “Se fossem contabilizados todos os espaços livres públicos utilizados como estacionamentos que não tem algum tipo de zona azul ou tarifa (ou seja, são gratuitos) nas cidades brasileiras, os números seriam ainda mais assombrosos”, argumenta a pesquisadora neste artigo publicado pela Mobilize.

O trânsito das áreas próximas a ruas com estacionamentos públicos também é maior. De acordo com o pesquisador em planejamento urbano norte-americano, Donald Shoup, nas cidades dos Estados Unidos, 30% do fluxo de veículos em ruas comerciais é feito apenas de motoristas procurando vagas para parar o carro. Isso porque, embora mais vagas dê a ideia que o problema não existiria, já que as pessoas teriam onde parar seus carros, o fato de ter mais estacionamento incentiva as pessoas a usarem mais o carro, gerando um extenso ciclo de tráfego e trânsito. Shoup também mostra que a taxa de ocupação das vagas ideal para uma cidade deve ficar entre 80% e 85%.

Soluções e exemplos de otimização de estacionamentos

O ITDP aponta algumas cidades brasileiras que conseguiram mudar um pouco a situação das vagas, trazendo uma perspectiva positiva para o espaço urbano. Em Fortaleza, por exemplo, foi adotada a Zona Azul Digital, que traz maior rotatividade – ou seja, melhor aproveitamento das vagas. Além disso, a prefeitura ainda vai usar as tarifas pagas nesses lugares para investir em transporte por bicicleta. 

Já no município de São Paulo criou-se um limite máximo de vagas para as áreas que já têm oferta de transporte público de alta capacidade, como próximo a estações de metrô ou terminais de trem.