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Fintechs Imobiliárias avançam no mundo e no Brasil

Com captações de investimentos vultuosas, fintechs imobiliárias ganham corpo mundialmente.

11 de fevereiro de 2022 - 3 minutos de leitura

Autor: Redação

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As startups da área financeira (fintechs) combinam a expertise de tecnologia com a de finanças e surgiram como alternativa para os tempos críticos nos quais as instituições financeiras tradicionais tiveram complicações, caso da crise puxada pelo Lehman Brothers em 2008. Hoje, elas continuam mantendo esse perfil no mercado imobiliário e oxigenam o setor ao oferecer novos modelos de financiamento (funding). “Com custos menores e operações enxutas e inovadoras, as fintechs têm a vantagem de estar fora do alcance das rígidas regras que regem as instituições financeiras tradicionais”, destaca o Fintech Brasil.

A tendência das fintechs de atuar no mercado imobiliário está forte nos Estados Unidos e é um sinalizador também para o cenário brasileiro. É o que mostra a lista que a revista Forbes publica anualmente com as 50 fintechs mais promissoras, onde várias das listadas atuam diretamente no mercado imobiliário. 

Fintechs imobiliárias internacionais

É o caso da Better.com, plataforma nova iorquina que funciona como uma avaliadora de financiamentos de bancos e outras fintechs. Ela conta com um software que faz pré-aprovação para interessados em comprar um imóvel em menos de três minutos. 

Já a Cadre, cuja meta é simplificar o investimento em imóveis comerciais, angaria dinheiro online e usa análise de dados para obter acordos melhores em seus investimentos. 

A também norte-americana Roofstock é uma plataforma de compra de imóveis para locação, que categoriza as ofertas pela rentabilidade. O diferencial, pontuado pelo Fintech Brasil, é que boa parte das casas já tem inquilinos e, não por menos, a startup já está presente em 25 estados dos EUA.

Mercado ativo para as fintechs imobiliárias no Brasil

Os modelos de financiamento por fintechs imobiliárias também avançam aqui, com opções de crédito a juros mais baixos. Há casos recentes, como o da Hiperdados, mas a lista é maior e inclui a Inco, com soluções financeiras e de captação do setor imobiliário, e a Bloxs, plataforma de investimentos alternativos que tem uma área voltada para investidores com maior capacidade de aporte de capital.

Os números impressionam em casos como os da KeyCash, atuante no mercado imobiliário desde 2017, o que a torna uma veterana. Ela anunciou uma rodada de captação de R$185 milhões em outubro de 2021, por exemplo. Esse processo foi viabilizado por vários investidores, entre eles o Banco Modalmais, e deve permitir que a empresa expanda a atuação geográfica e o volume de crédito para potenciais clientes. 

KeyCash e Creditas apresentam números expressivos

A base tecnológica da KeyCash é o machine learning, ou aprendizado de máquina. Em 2021, a empresa já totalizava cerca de R$600 milhões em aprovações de créditos com projeção para R$3 bilhões em 2025. “A Fintech libera até 60% do valor do imóvel em crédito com taxa a partir de 0,82% para pessoas que desejam mudar suas vidas, ter dinheiro na mão para investir em seu negócio, fazer uma reforma ou comprar um imóvel adicional, alavancar projetos pessoais ou até mesmo para pagar dívidas com taxas de juros mais elevadas”, destaca uma reportagem do site Startupi falando sobre o modelo da companhia.

A Creditas, que se autodenomina como dona da plataforma líder de crédito e soluções financeiras 100% online na América Latina, tem números expressivos também. Segundo Maria Teresa Fornea Caron, VP de Home Equity da companhia, os empréstimos na Creditas com garantia em imóvel devem dobrar até o final de 2021.

A vantagem para o tomador, disse ela, é a redução do custo da parcela da dívida em cerca de 80% e o alongamento dos prazos de pagamento de até 36 meses (capital de giro) para 20 anos. “A escassez do crédito no Brasil é porque ele é caro e curto. Crédito saudável é barato e longo”, avaliou Maria Teresa na reportagem citada. Desde o início das operações, a fintech já recebeu aportes de fundos de capital de risco internacionais de mais de US$570 milhões.

BrBatel investe em automatização de processos

A curitibana BrBatel foi outra que recentemente anunciou uma rodada de captação de R$150 milhões, com investimentos no aperfeiçoamento da tecnologia para a automatização das operações de crédito, investimentos em marketing e no aumento da equipe de colaboradores. O foco da empresa é a análise de crédito de forma mais rápida do que os próprios bancos, além de conseguir identificar o melhor produto de crédito dentre as centenas disponíveis. Ela tem a meta de oferecer operações automatizadas, padronizadas e com as melhores condições para as empresas.

“Apesar dos grandes avanços do Banco Central, o processo de captação de crédito para as empresas continua o mesmo de antigamente. As informações são enviadas por e-mail (ou vias físicas), cada credor faz sua própria análise e pede dezenas de informações adicionais, sem contar as cláusulas mal escritas, cálculos não transparentes e, por exemplo, reciprocidades que forçam as organizações a assinarem contratos de seguro para conseguirem condições mais vantajosas”, explicou Lucas Flores, cofundador e CEO da BrBatel à reportagem da Tribuna.

A Lopes, oriunda do setor imobiliário, também entrou com a oferta de funding. “A empresa pretende ampliar seu market share nas três unidades de negócio: intermediação das operações próprias com imobiliárias, franquias e com a CrediPronto, uma fintech em parceria com o Itaú, por meio da qual concede crédito imobiliário”, detalhou uma reportagem da site Infomoney

De acordo com Matheus Fabricio, diretor de relações com investidores da companhia, a missão da empresa é “ajudar as pessoas a encontrarem o seu lugar”, o que inclui as opções de financiamento.