Incorporadoras se tornam agentes de desenvolvimento urbano

Projetos integrados, com casos de parcerias com o poder público, marcam atuação das incorporadoras no desenvolvimento urbano

2 de fevereiro de 2022 - 2 minutos de leitura

Autor: Redação

Compartilhe:

As incorporadoras têm levado a sério o papel de agentes de desenvolvimento urbano e um dos exemplos vem da Índia, com a criação de espaços mistos e sustentáveis na forma de distritos. Esse tipo de iniciativa tem a capacidade de fornecer qualidade de vida, boa infraestrutura sócio-cívica e vida comunitária holística – tudo nas proximidades, segundo o The Hindu Times. O modelo envolve a combinação de espaços residenciais, comerciais e, inclusive, da área de saúde. Algumas vezes há espaço até para iniciativas industriais.

No caso indiano há o incentivo estatal às incorporadoras, com a criação de uma política de integração lançada em 2005 para projetos de uso misto, com três categorias. Eles são o desenvolvimento em pequena escala (5-10 acres), desenvolvimento em escala média (20-50 acres) e desenvolvimento em grande escala (100+ acres). “À medida que as cidades estão ficando densas e congestionadas, vemos uma tendência de desenvolvimento em grande escala ocorrendo em subúrbios extensos´. Essa ascensão de cidades suburbanas redefinirá novas paisagens urbanas do futuro”, destaca a reportagem.

Um dos requisitos de projetos mistos é a sustentabilidade, combinada com a diversidade. Os distritos devem combinar iniciativas como a reciclagem de água e de esgoto, parques bem construídos, espaços verdes e abertos e avenidas arborizadas. Também devem criar um portfólio diversificado de consumidores, com uma mistura de pessoas de rendas diferentes. Espacialmente, os distritos também devem viabilizar o conceito de ‘caminhada até o trabalho’, ou seja, a possibilidade de ir a pé até a empresa.

Incorporadoras atuam do Ceará a Milão

Um projeto similar ao que os indianos estão propondo é o que seria a primeira cidade inteligente e inclusiva do Brasil, a Smart City Laguna, no Ceará, com cerca de 354 casas construídas até agora e abrigando 200 famílias (a previsão é ter 20 mil pessoas no total). O empreendimento envolve moradias integradas, sustentáveis e em equilíbrio com o meio ambiente, O conceito foi desenvolvido na Itália e combina a necessidade de atender ao déficit habitacional com a oferta de moradias acessíveis em países emergentes. O escopo envolve desde a criação do masterplan da cidade planejada até as estruturas de esgoto, água, energia elétrica e pavimentação.

Os exemplos internacionais que inspiram o projeto cearense são o bairro Quartiere Giardino, em Milão, em parceria com o Palladium Group, e a consultoria prestada para o REDO, o primeiro bairro inteligente inclusivo da mesma cidade, financiado pelo Lombardy Real Estate Fund e gerido pelo REDO SGR. Outra frente acontece justamente na Índia, onde os empreendedores do Laguna pretendem construir mais de mil apartamentos inteligentes, em parceria com a incorporadora Kolte Patil Developers Limited.