Jaubra: o “Uber da periferia” dá alternativas de mobilidade

Plataforma criada por moradores leva motoristas e entregas a regiões da periferia consideradas “perigosas” para demais serviços de apps.

29 de março de 2022 - 3 minutos de leitura

Autor: Redação

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Os aplicativos de mobilidade já mudaram a forma pela qual o brasileiro se locomove pela cidade. Como usuário, 75% das pessoas preferem usar apps desse tipo por questão de segurança. Do outro lado, em frente ao volante, o Brasil tem mais de 1,1 milhão de motoristas trabalhando em plataformas como Uber e 99. No entanto, os apps ainda não chegam a todos, mesmo em grandes metrópoles como São Paulo. É aí que entra o Jaubra, uma espécie de “uber da periferia”.

Criado por um morador da Brasilândia, bairro da periferia de São Paulo, o aplicativo é uma saída regional para as áreas em que aplicativos como 99, Rappi ou Uber não atendem. Isso porque, mesmo sendo o quarto distrito mais populoso do município, o bairro da Zona Norte ainda é pouco servido pelos apps por ser considerado “zona perigosa” para motoristas.

Olhando para esse “apagão” dos apps, Aline Landim se juntou ao seu pai Alvimar da Silva, que já era motorista de aplicativo, para criar o Jaubra. “Enxergamos uma oportunidade de negócio e também um trabalho que visa muito mais que o lucro, que ajuda as pessoas em situações diversas”, contou Aline ao Estadão.

Jaubra: de Uber da periferia a PicPay

Quando foi lançado, em 2017, o app ganhou o apelido de “Uber da Quebrada”. A ideia era unir todos os bairros de periferias com motoristas locais. Alvimar Silva começou sozinho, distribuindo cartões pela vizinhança, e percebeu que muitos dos seus vizinhos acabavam pedindo que ele fosse motorista por falta de alternativas no bairro. As corridas se acumularam, ao ponto dele repassar corridas para amigos da região. Assim, eles montaram uma cooperativa. 

Com o tempo o app cresceu e passou a oferecer novos serviços aos clientes, como atendimento via WhatsApp e agendamento de corridas por telefone. Atualmente, ele já oferece serviço de delivery e projeta ter a opção de liberar pequenas transações financeiras, como o PicPay. A empresa também estuda começar a atender outras regiões periféricas da cidade de São Paulo.

“A Jaubra acaba ajudando nessa questão da mobilidade, na questão da autoestima, porque você consegue sair da sua casa no horário que você quiser e voltar. Antes as pessoas ficavam muito presas, hoje, não. Hoje elas têm uma opção”, contou Aline Landim, CEO da empresa, ao Youse.

Atualmente, a empresa conta com 130 motoristas cadastrados e faz em torno de 5 mil corridas por mês, a maioria delas em Brasilândia e em bairros próximos. 

Foto: Jaubra / Divulgação

Jaubra e o impacto positivo em São Paulo

“Aqui há lugares de difícil acesso até mesmo para o transporte público, então nos tornamos a única opção para muitas pessoas, que perderam até mesmo consultas médicas por falta de transporte”, disse Aline em entrevista à istoé. A resposta dos moradores está sendo positiva. Aline já escutou alguns relatos emocionantes de usuários. Um deles foi de uma mãe, que pôde voltar a levar o filho com deficiência à fisioterapia semanal porque conseguiu achar motoristas que a pegavam junto com o filho.

Segundo Aline, em entrevista ao Estadão, é comum as pessoas chamarem ambulância e os motoristas não encontrarem o destino por causa da numeração da periferia. “Sabemos que alguns lugares são difíceis de encontrar e de acessar, como vielas, casas com números confusos ou sem números. Por isso é importante termos motoristas que moram e conhecem a região. Sempre falamos que se um carro consegue passar em uma rua, nós conseguimos buscar nosso passageiro”.

Outro exemplo é a fotógrafa Débora Alves, moradora da Brasilândia que usa o app desde o começo. Em entrevista ao Estadão, Débora contou: “Não é exagero dizer que o serviço de transporte mudou a vida da população que era dependente dos ônibus. Uso constantemente para trabalhar e uma vez cheguei a usar para ir ao hospital”.