Digital Twin

Las Vegas cria Digital Twin e indica caminho para cidades do futuro

Mais do que um modelo digital, o Digital Twin pode ser a base do planejamento urbano do século 21.

22 de fevereiro de 2022 - 2 minutos de leitura

Autor: Redação

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Las Vegas apontou o futuro das cidades conectadas durante a Consumer Electronic Show de 2022 ao lançar a sua “Digital Twin” – uma réplica digital conectada em 3D. A inovação chamou atenção para uma tendência de tecnologia virando realidade para o planejamento urbano.

Criar uma réplica digital até já é algo corriqueiro na engenharia, arquitetura e construção. Afinal, o que é o trabalho de um engenheiro ou arquiteto sem o AutoCad ou programas similares? O Digital Twin, no entanto, eleva o poder do modelo em 3D à sua última potência ao agregar dados históricos e de sensores conectados em tempo real na cidade. Informações como número de veículos, bicicletas e pessoas em trânsito, qualidade do ar, a temperatura, quantidade de barulho e uso de energia podem ser conectadas no Digital Twin, criando uma réplica “viva” da cidade.

Las Vegas: Digital Twin

No caso de Las Vegas, o desenvolvimento foi feito em parceria entre a cidade e uma empresa de modelagem digital (a Cityzenith) e outra de sensores de Internet das Coisas (Terbine). Acertada a primeira fase do Digital Twin, o  passo seguinte é conectar construtoras, segmentos da Prefeitura e do Estado na plataforma, para que todos possam fazer o uso estratégico dos ambientes ricos em dados em tempo real. Esse universo de informações permite aos planejadores urbanos observarem os efeitos de ocorrências e interferências em diversos aspectos urbanos.

No futuro, a ideia é usar o Digital Twin para entender como a cidade pode responder a situações mais extremas, como altas temperaturas, terremotos ou chuvas para, a partir desse diagnóstico, criar estratégias mais eficientes para lidar com as transformações. 

O Digital Twin colocado no ar em Las Vegas também pode simular e otimizar projetos em larga escala usando o monitoramento em tempo real de energia e de geolocalização. Ter esse tipo de planejamento faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Pacto Global encabeçado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que estabelece 17 metas até 2030. No caso do ODS 11, que trata de Cidades Sustentáveis, há uma meta explícita que fala sobre “aumentar substancialmente o número de cidades e assentamentos humanos adotando e implementando políticas e planos integrados para a inclusão, a eficiência dos recursos, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, a resiliência a desastres; e desenvolver e implementar, de acordo com o Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres 2015-2030, o gerenciamento holístico do risco de desastres em todos os níveis”. (Veja aqui também as 6 cidades que já aplicam o ODS 11).

Digital Twin na vida real

A tecnologia já trouxe benefícios reais para cidades fora do mundo virtual. Foi o que ocorreu em 2021 com Chattanooga, no Tenessee. A partir de um Digital Twin da cidade, foi possível diminuir o trânsito em 30% em uma das principais avenidas, a Shallowford Road. Como? Apenas controlando os semáforos a cada quatro minutos. 

No mundo fora do digital, as pesquisas para esse tipo de mudança no trânsito acontecem apenas em horários de “rush”, como a manhã e o final da tarde. Pelo Digital Twin da cidade norte-americana, foi possível observar que as horas de congestionamento na avenida eram, na verdade, no meio da tarde, quando mais de 90% dos veículos ficaram parados devido ao descompasso dos semáforos, que estavam “calibrados” para os horários de pico.