Embora o dióxido de carbono (CO2) seja sempre lembrado quando o assunto é crise climática, existe outro gás de efeito estufa ainda mais potente, com forte presença na agroindústria e na produção de esgoto. Trata-se do metano (CH4). Agora, com a COP26, ele ganhou o protagonismo que merece e foi para o centro da conferência que acontece na Escócia. Em função de sua importância, mais de 100 países acabam de chegar a um consenso para frear as emissões de CH4 e a meta é reduzi-las em 30% na próxima década.

O monitoramento da emissão de metano mostra que ele é responsável por pelo menos 25% do aquecimento global atual, sendo que metade desse percentual é de origem antropogênica, ou seja, gerada por nós, humanos. A informação é do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Além de pesar na emissão, o metano tem outra característica preocupante: é um gás de efeito estufa 28 vezes mais potente que o CO2 no longo prazo e até 80 vezes no curto prazo. 

Agropecuária é principal emissor de metano, mostram especialistas na COP26

Além de emitir o metano, os seres humanos também realizam atividades que levam à produção do gás, sendo a de maior destaque a agropecuária. O arroto dos bois e seus gases intestinais, por exemplo, são grande fonte do CH4. No fim das contas, a agropecuária sozinha responde por 40% do metano gerado no planeta, com a criação de animais puxando o processo. 

Tecnicamente a fermentação entérica, como é conhecida a digestão de materiais orgânicos por ruminantes, é a maior fonte de emissão na pecuária. Nesse caso, a liberação acontece pela flatulência e arrotos de vacas, cabras, ovelhas e outros animais. Já a produção de combustíveis fósseis fica com 35% das emissões, seguida pelo tratamento de esgotos (20%). 

Os gases das vacas e de outros animais não escapa, inclusive, do monitoramento do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima. No ano passado, as emissões da agropecuária responderam por 65% das 577 milhões de toneladas de CO2 emitidas pelo Brasil (um aumento de 2,5% em relação ao ano de 2019). Globalmente, as emissões de metano aumentaram quase 10% nas últimas duas décadas. De novo, a agropecuária vem puxando o processo, o que é crítico no caso do Brasil, que detém vários dos maiores rebanhos de animais de criação do mundo. 

O rol de soluções para resolver o desafio de aumento das emissões de metano passa pelo monitoramento e por ações de combate. Outra iniciativa importante envolve o financiamento de iniciativas para mitigar os efeitos do CH4, inclusive com o anúncio de uma dotação de mais de US$ 320 milhões para suporte a ações de redução do metano em nível global.