Metade das vendas de imóveis na MRV eram feitas em plataformas digitais há quatro anos, mas hoje a mediação virtual acontece para praticamente todas as negociações. A mudança faz parte da transformação digital da empresa e também foi acelerada pelo cenário de pandemia. Independentemente dos motivadores, a empresa precisa conviver com um cenário de maior volume de dados e uma das ações para isso é a adoção do chamado edge to cloud. Explicando: o edge to cloud permite o processamento das informações na borda da rede, isto é, próximo de onde os dados são gerados pelos celulares, computadores e dispositivos de internet das coisas.

Quem explica essa tendência é o gestor de infraestrutura de TI e SI da MRV, Eduardo Salomão. Ele participou de um podcast sobre o tema, realizado pelos sites InfraROI e IPNews, dividindo a discussão com Flávio Póvoa, gerente de engenharia de sistemas na Aruba, uma empresa do grupo HP.

De acordo com Salomão, a cultura da construtora é trazer as áreas de negócios para dentro da estrutura de TI. Ou vice-versa. Com isso, os profissionais de negócios são beneficiados ao trocar informações e para levar a TI ao desenho de soluções que atendam melhor os usuários internos (colaboradores) e os externos (clientes da MRV).

Na prática, os dados gerados nas plataformas digitais da MRV podem ser usados internamente para identificar tendências de compra e perfis de potenciais compradores, por exemplo. Com essas informações na mão – e mais importante: processadas rapidamente e sem atraso – a construtora pode melhorar o atendimento aos clientes. De forma mais simplificada, isso pode dar respostas rápidas porque o processamento do grande volume de dados (site, aplicativos, etc.) acontece de modo dinâmico.

Do lado do potencial cliente, com respostas mais ágeis, a experiência de compra flui melhor e pode influenciar na tomada de decisão.

Edge to cloud estrutura dados, com participação das áreas de negócios

Eduardo Salomão destaca que os dados precisam estar estruturados e é necessário que as áreas de negócios, que vão usar as informações, façam parte dessa estruturação. “As decisões, com a presença das áreas de negócios dentro da TI, são mais assertivas, e a transformação digital torna-se mais rápida e eficaz”, argumenta o especialista da MRV.

Segundo ele, a construtora já vem usando tecnologias disruptivas nos últimos anos, caso da adoção de drones para prospecção de terrenos e atividades de inspeção das construções. Outra iniciativa estabelecida é a utilização do BIM, plataforma que viabiliza a digitalização e compartilhamento de dados em todas as etapas de obra. “Há informações de que a pandemia acelerou algumas das etapas de digitalização em pelo menos cinco anos”, argumenta Salomão.

De acordo com ele, o perfil de construtech da MRV, ou seja, de construtora que adota inovações tecnológicas, ajuda a empresa a avançar no novo cenário. A aposta do especialista é em tecnologias que otimizem a gestão do grande volume de dados, caso do edge to cloud, e na maior segurança no uso desses dados, inclusive para atender as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).