A prefeitura de São Paulo está revisando o Plano Diretor aprovado em julho de 2014, uma etapa prevista no documento que estabelece as diretrizes de planejamento urbano da cidade. São várias fases de revisão e nem todas foram concluídas, mas os dados iniciais já apontam para mudanças importantes, entre elas o adensamento habitacional ao longo dos eixos de transporte da cidade. E mais: esse fenômeno não está restrito aos bairros tradicionalmente atrativos para o lançamento de projetos residenciais verticais, como Pinheiros e Moema. A tendência chegou às regiões como Vila Matilde, que é atendida por três estações de metrô, além da Radial Leste, uma das principais artérias da capital.
O cenário de Vila Matilde exemplifica bem a tendência identificada de adensamento construtivo, demográfico e de atividades urbanas nos eixos de estruturação urbana, que são como a prefeitura chama as áreas da cidade onde existem sistemas de transportes de alta e média capacidade. De acordo com a reportagem do jornal Folha de São Paulo, a região foi a quinta maior em volume de lançamentos habitacionais por metro quadrado no período de 2014-2020. Outros locais periféricos como São Lucas e Cidade Ademar também estão ao lado dos bairros tradicionais na lista dos top 10 em volume de lançamentos no período.
Oferta de imóveis de interesse social aumentou entre 2014 e 2020
A Cidade Patriarca (que está na microrregião da Vila Matilde) é outro destaque fora do centro da metrópole que passa pela mesma transformação. Trata-se de uma área arborizada e que costuma ter casas com grandes quintais. Segundo a reportagem do UOL, esse perfil tem sido mudado e as residências com grande área têm cedido espaço para projetos verticais. São empreendimentos imobiliários que variam de médio porte a projetos de microapartamentos, sem garagem. O movimento nesse e em outros bairros pode ser resumido em números: os lançamentos imobiliários ativados ao longo dos eixos de transporte eram 10% de todos os lançamentos em 2014 e saltaram para 33% em 2020.
Além do adensamento ao longo dos eixos de transporte, a revisão do Plano Diretor identificou o aumento da oferta de Habitação de Interesse Social (HIS) em regiões de melhor infraestrutura e com a utilização de novos parâmetros nas edificações, o que incentiva a fruição pública, fachadas ativas e ampliação de calçadas.
De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, que coordena a revisão do Plano Diretor de São Paulo, o documento atual é válido até 2029, mas a própria lei que o criou determina que o executivo faça uma revisão das estratégias e diretrizes desta legislação urbanística.