A conferência da COP26, em andamento na Escócia, tem destacado exemplos positivos de sustentabilidade. O Sara Kulturhus, centro cultural na Suécia, faz parte da lista e adota a madeira como principal insumo, inclusive, é inovador ao ser  uma construção com 20 andares e 80 metros baseada no material. Na verdade, o centro cultural é o edifício de madeira mais alto do mundo. O prédio também é uma espécie de homenagem à cidade sueca de Skelleftea, conhecida pela tradição em construções com madeira. O insumo foi o ponto de partida do escritório White Arkitekter, responsável pelo projeto, hoje uma vitrine de sustentabilidade, ao integrar hotel, teatro, museu, galeria de arte, biblioteca pública e centro de conferências nesse mesmo empreendimento. 

Prédio de madeira mais alto do mundo usou reflorestamento

Finalizado no ano passado, ele começou a ser projetado em 2016 com a meta de reduzir emissões de carbono, não só por incorporar a madeira como material protagonista, mas também pela operação do edifício em si. 

A matéria prima principal veio de florestas boreais regionais da região, com o cultivo e a retirada controladas. O prédio tem fachada transparente com muitas entradas, o que, na avaliação dos seus idealizadores, “trabalham em conjunto para diminuir a soleira de entrada no edifício e para substituir a imagem de uma instituição cultural austera por um edifício aberto e acolhedor”. 

A obra exigiu soluções inovadoras em construção de madeira sólida para lidar com vãos, flexibilidade e conforto acústico. O hotel, por exemplo, é construído com módulos de volume pré-fabricados de madeira laminada cruzada sólida (CLT), empilhados entre dois núcleos de elevação.

O projeto integrado permitiu que a estrutura de suporte de carga fosse construída inteiramente sem concreto, acelerando o tempo de construção. A mitigação das emissões acontece não pelo uso da madeira, mas também por iniciativas de eficiência energética. É o caso do uso de painéis solares e sistemas de energia eficientes, que contribuem para minimizar a pegada climática do empreendimento. 

O centro cultural é apontado como pioneiro no uso de energia renovável, fornecendo energia limpa para seus vizinhos da área central da cidade de Skelleftea. Um exemplo é o sistema de sprinklers, que na maioria dos edifícios é normalmente movido a diesel, mas no Sara Kulturhus é movido por energia renovável.

As fontes energéticas do prédio incluem desde o aquecimento urbano até energia solar, tendo também uma bateria fabricada pela Northvolt. O compartilhamento de energia é outra característica. Se houver um ônibus elétrico que precise ser recarregado na estação de ônibus ao lado do centro cultural, o empreendimento pode ser uma fonte: o sistema tecnicamente reduz o uso de aquecimento urbano, por exemplo, e alimenta as baterias de reserva, reduzindo custos, ao mesmo tempo em que se integra ao sistema de energia distribuída da cidade. Ser energicamente eficiente também elimina os desperdícios, globalmente estimados em 30% no caso de prédios comerciais.