Pará tem o primeiro refúgio verde do País reconhecido internacionalmente

No norte do estado do Pará, reserva ambiental mostra o poder da comunidade que se sente responsável pelo seu ambiente e trabalha em conjunto visando perenidade e sustentabilidade para todos.

Por Marcia Tojal em 9 de dezembro de 2025 3 minutos de leitura

Vista aérea da Ilha de Marajó com vastas áreas de vegetação verde, estrada principal e céu com nuvens, destacando um refúgio verde na natureza amazônica.
Foto: Pedro Magrod/ Shutterstock

Ao norte do estado do Pará, banhada tanto por água doce quanto salgada, está localizada a Ilha do Marajó, maior ilha costeira do Brasil. É nesse cenário de belezas amazônicas que fica a Reserva Extrativista Marinha de Soure, a Resex, primeiro refúgio verde do País a entrar na Lista Verde de Áreas Protegidas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

A unidade de conservação faz parte da maior faixa contínua de manguezais do mundo, abrigando algumas das florestas de mangue mais altas do planeta, além de dunas costeiras e uma rica biodiversidade, com espécies icônicas como o caranguejo-de-mangue e o peixe-boi-marinho.

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O processo para reconhecimento deste refúgio verde brasileiro como unidade de conservação começou em 1997, impulsionado pela demanda da Associação dos Caranguejeiros de Soure. Naquele período, eles reivindicavam o direito ao uso sustentável dos manguezais e solicitavam fiscalização contra extrativistas de outras regiões que utilizavam técnicas predatórias para capturar grandes quantidades de caranguejo. Outras comunidades, incluindo as pesqueiras, uniram-se ao movimento, culminando no reconhecimento da área em 2001 como a primeira reserva extrativista do Estado do Pará.

Governança comunitária e ecoturismo são a base do refúgio verde brasileiro

Além de sua relevância ecológica, o território é um exemplo de conciliação entre conservação e desenvolvimento social. A Resex abriga comunidades pesqueiras tradicionais que promovem o uso sustentável dos recursos naturais, garantindo a subsistência e a integridade cultural.

A sustentabilidade econômica é complementada por um vibrante polo de ecoturismo. A reserva possui quatro praias que atraem milhares de visitantes anualmente. A grande diferença, no entanto, é que os turistas podem vivenciar a cultura local por meio de um turismo ecológico gerido diretamente pela comunidade, reforçando a autonomia e a geração de renda local.

Padrão global de excelência em conservação

Vista aérea do Rio Amazonas na Ilha do Marajó em Salvaterra, mostrando uma extensa área de vegetação verde e um rio sinuoso, ideal para quem busca um refúgio verde na Amazônia.
Foto: Pedro Magrod/ Shutterstock

A inclusão na Lista Verde da IUCN, ao lado de outras 11 áreas protegidas de países como China, Colômbia e França, é um reconhecimento internacional. A iniciativa da Lista Verde estabelece o primeiro padrão global de melhores práticas, certificando áreas que são gerenciadas de forma justa e eficaz para alcançar resultados de conservação bem-sucedidos.

A busca pela certificação, conforme informou matéria do Estadão, exigiu uma extensa análise da unidade de conservação, conduzida por avaliadores da IUCN. A reserva apresentou seus elementos de gestão mais robustos, como o Conselho Deliberativo, composto por participantes ativos da comunidade local, o plano de manejo, projetos de educação ambiental, operações de fiscalização, o perfil atualizado das 1.600 famílias beneficiárias e a sinalização do perímetro dos 29 mil hectares. 

No site do Governo Federal, outros processos são descritos como parte da iniciativa da reserva receber a certificação. Após trabalhar e atender aos padrões internacionais da IUCN nos critérios faltantes, como a fiscalização de pontos críticos carentes de reformas, os servidores ainda se dedicaram ao Plano de Melhorias, listando aspectos que, embora já cumprissem as exigências da entidade, poderiam ser aprimorados.

Devido a limitações financeiras da unidade, várias melhorias só foram alcançadas por meio de parcerias institucionais. Historicamente, o monitoramento de tartarugas marinhas, por exemplo, é realizado pela RARE Brasil, organização que promove a pesca artesanal sustentável ao longo dos setores costeiro e marinho brasileiros, em parceria com a Resex Soure, permitindo o compartilhamento de dados essenciais para a proteção do território e das comunidades. O processo de certificação da IUCN também possibilitou a captação de novos recursos, especialmente por meio do projeto Tech4Nature – uma colaboração entre IUCN, UFPA, RARE e IBD. Este financiamento permitiu que a própria equipe da unidade realizasse o monitoramento conforme critérios institucionais, utilizando o Programa Monitora, enquanto atividades menos onerosas, como o acompanhamento de visitantes, já eram executadas com recursos exclusivos da reserva. Um exemplo do poder de autogerenciamento e governança da comunidade que se sente parte e responsável pelo seu ambiente e a perenidade para seus entes.

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