Construção de áreas úmidas artificiais beneficia espaço urbano

Estruturas ajudam a drenar água e a alimentar o ecossistema; Cuiabá é case mundial de uso de áreas úmidas artificiais.

12 de abril de 2022 - 3 minutos de leitura

Autor: Redação

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Ao invés de serem causa final de enchentes e destruição, as águas podem ser aliadas da construção de cidades sustentáveis. Uma das saídas encontradas pela engenharia para dar vazão melhor à água e, de fato, aproveitar o poder hídrico são as chamadas “áreas úmidas artificiais”.

Na China, o arquiteto  Kongijan Yu tem usado a ideia de dar espaço para a água subir e descer, nas chamadas “cidades esponjas”. No Brasil, o conceito acabou se inspirando em dois ecossistemas conhecidíssimos: o pantanal e os mangues. 

Como ensina a biomimética, a natureza é sábia. A partir da observação desses dois ambientes naturais, pôde-se chegar a uma forma de preservar o ecossistema e manter a água. Um exemplo é a construção dos Condomínios Chapadas das Rosas e Chapadas dos Lírios em Cuiabá, no Mato Grosso.

Áreas úmidas em favor do ecossistema

Com a função de drenar a água das chuvas e fortalecer os reservatórios naturais de água no solo, as áreas úmidas são construídas ao lado de prédios ou em parques, com camadas de brita e plantas nativas, como se fossem piscinas naturais. Tais construções são chamadas de “soluções baseadas na natureza”, já que entram como parte do sistema ecológico. “Essas áreas úmidas construídas promovem naturalmente a filtragem das águas pluviais e fornecem locais de refúgio, alimentação e reprodução da vida silvestre, principalmente em ambientes urbanos. Vários são os exemplos de áreas úmidas construídas com a mesma finalidade em todo o mundo, onde são chamadas de wetlands parks”, explicou o biólogo André Pansonato.

O exemplo de Mato Grosso 

Em Cuiabá, novas construções residenciais de grandes dimensões incorporam a técnica. É o caso dos condomínios Chapada das Rosas e Chapada dos Lírios, cujo projeto teve como premissa a integração entre área de preservação e área verde. O foco é preservar as espécies presentes no córrego do Gumitá. São 80 espécies de aves, 30 de anfíbios, 22 de répteis e outras 15 de mamíferos, incluindo o sagui, pequeno macaco que pode ser avistado facilmente nos parques verdes urbanos de Cuiabá. 

Quando uma área de nascente é mapeada e preservada, toda essa riqueza animal ganha um novo fôlego de vida, junto com o ressurgimento ou fortalecimento de árvores e plantas de maior porte. “A MRV está dando uma contribuição efetiva à proteção da natureza nessa área importante da Capital de Mato Grosso”, destacou o diretor regional da MRV, Márcio Galvão. Segundo ele, o design mais orgânico, diferente de tradicionais linhas retas de concreto e asfalto, também permite que moradores tenham uma experiência mais próxima à natureza, com mais qualidade de vida. Vetor de mais conscientização ambiental, ressalta. Somadas, a área preservada e as bacias artificiais (áreas úmidas construídas) correspondem a mais de 5 mil metros quadrados. 

Água no deserto

As áreas úmidas construídas ou “constructed wetlands” já proliferam pelo mundo como um espaço sustentável para lidar com as águas nas cidades. Em casos como no Oriente Médio, onde a água já é escassa, as áreas úmidas funcionam como estações de tratamento natural para a água. “As plantas usam um processo chamado ‘fitorremediação’ no qual os nutrientes são absorvidos pelas raízes para filtrar e limpar a água, este é um excelente exemplo de permitir que a natureza nos ajude”, explicou Damian Smith, gerente do projeto de uma área úmida artificial de mais de 28 mil quadrados que está sendo feita na Árabia Saudita. Ao site ArabNews, Smith contou que boa parte das águas residuais das construções devem passar por essas áreas úmidas.