Crescidinhos: a cidade do futuro é inclusiva para crianças

Série da Netflix mostra que cidade do futuro é inclusiva e pensada para os pequenos cidadãos.

11 de maio de 2022 - 2 minutos de leitura

Autor: Redação

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Crianças são parte importante da cidade do futuro, que pressupõe também ser uma cidade inclusiva. É o que mostra o novo reality show da Netflix, Crescidinhos. O programa japonês tem episódios curtos que mostram cenas “simples”: pequenos cidadãos fazendo as tarefas pela primeira vez na cidade. 

Nos episódios, as crianças pequenas, entre 2 e 3 anos de idade, são encorajadas a fazer atividades do dia a dia, como comprar peixe na feira ou comida no mercadinho do bairro e conseguem completar as “Hajimete no Otsukai” (em português, minha primeira tarefa). O programa é extremo com a idade dos seus “heróis”, mas é reflexo de uma realidade cultural em que as crianças, de fato, desde muito cedo, têm um grau de independência 

Cidade do futuro é inclusiva: ruas para crianças

Embora possa parecer apenas “fofo” à primeira vista, o conteúdo traz uma reflexão importante acerca da infraestrutura inclusiva das cidades. Segundo explicou para a Slate o professor de planejamento de transporte da Universidade de Tokyo Hinronori Kato, as cidades japonesas são pensadas para abarcar os pequenos. “As estradas e as ruas foram desenhadas para que as crianças possam andar de maneira segura”, explicou Kato.

Os bairros também são planejados para esse fim. O conceito japonês é que todo bairro deve funcionar como uma vila, ou seja, precisa ter pequenos negócios, lojinhas e mercados misturados com as casas, criando um lugar confiável para que as crianças possam ir. 

Os limites de velocidade são mais baixos e os bairros foram desenhados para terem quadras menores, com muitas intersecções, facilitando o movimento dos pequenos. As próprias ruas dos bairros são diferentes: muitas delas não têm calçadas elevadas, nem espaços para estacionar os carros, o que cria maior visibilidade para motoristas e pedestres. Entre eles, os pequenos! 

Os especialistas apontam que, ao tornar a cidade melhor para crianças, os japoneses também a tornam mais inclusivas para cidadãos com mobilidade reduzida, como idosos ou portadores de deficiência. 

Independência e direito à cidade

“No Japão, muitas crianças vão para as escolas a pé e sozinhas, isso é bem normal”, disse Kato, que explicou que as crianças entre 7 e 12 anos de idade andam bastante nas cidades. Por lá, as escolas de bairro até adotaram a prática do “walking school bus”, ou seja, uma parada para os meninos e meninas mais velhos ajudarem os pequenos a irem para a escola. Para se ter uma ideia, uma pesquisa mostra que menos de 15% das crianças de 10 e 11 anos de idade fazem suas viagens semanais acompanhadas dos pais. De acordo com a condutora da pesquisa, Rebecca Clements, o Japão mostra que os pequenos têm “direito à cidade”. Enquanto entramos na discussão sobre as cidades de 15 minutos e o planejamento da cidade para as pessoas, que tal pensar também nos pequenos cidadãos?!