Escolas podem ser aliadas estratégicas na adaptação climática das cidades

Infraestrutura resiliente, educação ambiental e engajamento comunitário transformam escolas em peças-chave para cidades mais preparadas diante das mudanças climáticas

Por Marcia Tojal em 12 de março de 2026 3 minutos de leitura

Crianças participando de uma atividade educativa sobre energias renováveis em sala de aula, com foco na adaptação climática das cidades usando fontes sustentáveis.
Foto: Halfpoint/ Shutterstock

Ondas de calor, enchentes, tempestades intensas e eventos extremos já estão afetando diretamente o funcionamento das escolas no mundo. Um relatório publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em 2025 estimou que 242 milhões de estudantes em 85 países tiveram aulas interrompidas em 2024 por eventos climáticos como calor extremo, ciclones e enchentes, evidenciando o impacto crescente das mudanças climáticas sobre os sistemas educacionais.

Segundo o Institute for Educational Planning da UNESCO, as mudanças climáticas podem danificar ou destruir infraestrutura escolar, afetar materiais pedagógicos e ampliar vulnerabilidades sociais, especialmente em regiões mais expostas a riscos ambientais.

Mas e se as escolas começam a ser vistas não apenas como espaços de ensino, mas como infraestruturas sociais estratégicas para a resiliência urbana?

Infraestrutura escolar pode ajudar cidades a enfrentar eventos climáticos

Fachada do prédio da escola bilíngue Pueri Domus, localizada na esquina da rua Ministro Godoi com a avenida Sumaré, sob um céu azul e ensolarado.
Foto: Deni Williams/ Shutterstock

A adaptação começa pelo próprio edifício escolar. De acordo com o UNICEF, projetos de escolas resilientes buscam garantir que a infraestrutura educacional consiga resistir a impactos climáticos, incorporando princípios de sustentabilidade e segurança no desenho arquitetônico. Em termos urbanos, isso significa repensar o ambiente escolar com soluções como:

  • Aumento da arborização para reduzir ilhas de calor;
  • Superfícies permeáveis que ajudam na drenagem da água da chuva;
  • Melhor ventilação natural e isolamento térmico;
  • Sistemas de captação e reaproveitamento de água.

A Education Commission, iniciativa internacional focada em políticas educacionais, destaca que adaptar edifícios escolares para lidar com altas temperaturas e eventos extremos é essencial para manter as escolas operacionais durante crises climáticas.

Quando projetadas com esse tipo de infraestrutura, escolas podem contribuir não apenas para o conforto dos alunos, mas também para a redução de impactos ambientais no entorno urbano.

Educação climática como ferramenta de transformação social

Além da infraestrutura, a escola também exerce um papel importante na formação de cidadãos preparados para lidar com as mudanças climáticas.

A iniciativa Greening Education Partnership, liderada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), foi criada justamente para fortalecer o papel da educação na resposta à crise climática. O programa busca garantir que estudantes desenvolvam conhecimentos, habilidades e valores necessários para enfrentar as mudanças no clima e promover o desenvolvimento sustentável.

Grupo de jovens participando de uma atividade de educação climática ao ar livre, aprendendo sobre sustentabilidade e transformação social
Foto: Thanakorn.P/ Shutterstock

Segundo a UNESCO, essa transformação educacional envolve diferentes dimensões, como:

  • Currículos que integrem temas climáticos;
  • Formação de professores em sustentabilidade;
  • Escolas fisicamente mais sustentáveis;
  • Engajamento da comunidade no entorno escolar.

Outro documento da iniciativa aponta ainda uma meta global: até 2030, metade das escolas de cada país deve se tornar “climate-ready schools”, ou seja, uma escola preparada para lidar com questões climáticas, integrando práticas ambientais e educação.

Escolas também podem funcionar como centros comunitários em emergências

Em muitos territórios urbanos, escolas são um dos poucos equipamentos públicos presentes nos bairros, o que amplia seu potencial estratégico. Projetos de adaptação climática têm explorado esse papel ao transformar escolas em centros comunitários de resiliência, capazes de funcionar como abrigos temporários em desastres, servir como espaços de distribuição de água e alimentos e, ainda, atuar como centros de informação para a população.

Ao integrar infraestrutura adaptada, educação ambiental e participação comunitária, escolas passam a desempenhar uma função que vai além da aprendizagem formal: tornam-se pontos de apoio para a segurança climática das cidades e para as transformações sociais necessárias para uma nova lógica econômica baseada em impactos e equilíbrio.

Repensar escolas é também repensar o futuro urbano

O fortalecimento da resiliência climática nas escolas também tem impacto direto no desenvolvimento das cidades. O Global Partnership for Education alerta que quase metade das crianças do mundo vive em países altamente expostos a choques climáticos, como secas, ciclones, incêndios e enchentes, o que reforça a necessidade de sistemas educacionais preparados para esses eventos.

Nesse contexto, investir em escolas mais sustentáveis e resilientes significa proteger não apenas o processo educativo, mas também fortalecer a capacidade das comunidades de enfrentar crises ambientais.

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