Kuwait leva mar ao deserto em cidade artificial

Cidade artificial de Sabah Al Ahmad Sea City recria ecossistema marinho e promete praia particular para cada residente.

26 de julho de 2022 - 3 minutos de leitura

Autor: Redação

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Levar o mar até o deserto pode ser possível com o uso da tecnologia. No Kuwait, uma cidade artificial está sendo criada para tornar esse feito realidade. A cidade de Sabah Al Ahmad Sea City, construída no sul do país com financiamento privado, está em fase de edificação, mas já entregou parte do que promete: que todo residente tenha acesso privado a uma praia.

Primeira cidade feita pela iniciativa privada na região, a Sea City irá comportar 250 mil habitantes e deve ser finalizada até 2030. Ela é uma prova de que planejar, esperar e mudar o planejamento é necessário na hora de se construir uma smart city

Kuwaitt: a saída curva!

Com o crescimento da economia do país do Oriente Médio, impulsionado pela exportação de petróleo, aumentou também a demanda por casas luxuosas. O problema é que com apenas 167 quilômetros de costa voltada para o Golfo Pérsico, a nação tem pouco espaço para essas residências, e o interior do país é composto basicamente de solo desértico, nada atrativo para bairros se desenvolverem. 

A ideia para resolver esse quebra-cabeça foi pensar em curvas. No lugar de uma única praia que se estende por quilômetros, eles pensaram em cavar canais curvos para aumentar as áreas com acesso ao mar. Tanto que, com a Sea City, o Kuwait dobrou o tamanho da sua costa.

Pausa no projeto da cidade artificial

Apesar de a execução do projeto ter sido feita na última década, seguindo até 2030, pelo menos, a ideia da cidade de Sabah Al Ahmad Sea City não é nada nova. Ela veio em 1989, mas o projeto teve que ser pausado devido à Guerra do Golfo, que devastou o país no começo dos anos 1990.

Divulgação – LA ALA AL KUWAIT

O tempo parado trouxe outros moldes para o projeto, que abarcou também um ideal sustentável ao longo do caminho. Por isso, os desenvolvedores optaram por se guiar pelas forças do mar e do vento. Assim, os canais da Sea City foram feitos a partir da observação da subida e descida das marés. 

Mar desafiou modelo de cidade artificial

Um dos principais desafios para se criar os canais curvos, que iriam “entrar” por quilômetros de deserto adentro é manter a qualidade e a quantidade de água, já que a circulação precisa ser mantida para que o mar “regue” os chamados esteiros. Além disso, a maré precisava ser controlada e não poderia se elevar muito rapidamente, para não ser um perigo para a população.

Para driblar essa situação, um modelo computacional complexo foi criado para entender o ciclo das marés na região. Dados sobre o vento também foram coletados, o que ajudou todo o plano da Sea City, bem como mostrou que o design – mais parecido com uma costela de adão – iria resistir à degradação natural causada pelas águas. O modelo mostrou que a melhor forma seria usar um sistema de comportas de água.

Kuwait e seu ecossistema marinho

Diferentemente das ilhas artificiais de Dubai, o projeto da Sea City criou um novo habitar para o ecossistema marinho da região: mangues foram plantados em ilhas para estruturar a baía e criar espaços naturais.

Divulgação – LA ALA AL KUWAIT

A transformação de uma área enorme ainda foi intrusiva e levou pelo menos cinco anos para abrir novas áreas do canal. Vilas residenciais e alguns hotéis foram desenvolvidos ao longo das costas artificiais. A areia escavada foi lavada e usada para construir o terreno para o desenvolvimento residencial. Na verdade, a terra está sendo construída acima do nível do mar projetado para proteger pessoas e propriedades das inundações.