Conheça o megaprojeto de hotéis e casas sustentáveis da Arábia Saudita

Como parte do programa estratégico de desenvolvimento econômico, projeto vai criar hotéis e casas sustentáveis em ilhas ao redor do mar vermelho.

4 de maio de 2022 - 4 minutos de leitura

Autor: Redação

Compartilhe:

A Arábia Saudita vai transformar 28 mil quilômetros quadrados de ilhas em volta do mar vermelho em hotéis de luxo e casas sustentáveis. O Red Sea Project deve entregar, só em 2023,16 hotéis, 3 mil quartos em 5 ilhas. E tudo isso com um toque de dificuldade peculiar: todos construídos em uma área que parte é desértica e outra parte está em um dos ecossistemas oceânicos mais diversos do mundo. 

O projeto faz parte do Saudi Vision 2030, programa estratégico de desenvolvimento econômico sustentável da região, cujo foco é reduzir a dependência da economia da Arábia Saudita em petróleo. Dessa forma, a construção de um espaço paradisíaco com infraestrutura hoteleira tem o objetivo de se tornar um destino disputado do ecoturismo de luxo no mundo.

Parte das construções, que são os hotéis na Ilha de Shura, o resort na “Desert Rock” e o vilarejo costeiro em Jadah, serão entregues em 2023. Até 2030, espera-se 48 hotéis, 22 ilhas desenvolvidas e mais de 8 mil quartos disponíveis. O mais atrativo para a região: 70 mil novos postos de trabalho e uma injeção de US$ 5,3 bilhões na economia saudita. 

Hotéis e casas sustentáveis, equilíbrio com o ecossistema

“É importante considerar duas coisas quando tratamos de um projeto sustentável em uma escala tão abrangente como esta: a primeira é proporcionar diferentes opções para as pessoas, e a segunda, é tentar prever todas as consequências possíveis de cada uma de nossas decisões. Então, quando paramos para observar a escala deste empreendimento, procuramos intervir o menos possível na paisagem natural. Preservando e mantendo o máximo que pudermos”, disse o arquiteto responsável da Foster + Partners, Gerard Evendeen ao ArchDaily. A Foster é uma das principais empresas responsáveis por colocar os resorts de pé.

O projeto conta com áreas dedicadas para mangues, vegetação costeira e vegetação local para manter o ecossistema único da região. Os prédios estão sendo pensados com o meio ambiente no centro,  feitos com materiais próprios do local (como o caso dos hotéis de Shaura, que utilizam madeira) e otimizados para reduzir consumo de energia depois de construídos. 

A localização do resort nas ilhas de Shura também coloca a biodiversidade em foco, já que os prédios de quartos são construídos em lugares que defendem a ilha de erosão e não criam interrupções para o fluxo subaquático de animais e vegetação.  

Já os resorts de Desert Rock se valem da tradição árabe de construções em locais montanhosos. As montanhas serão “cavadas” para acomodar os edifícios e as pedras serão reutilizadas na construção de outras áreas. Assim, os empreendimentos acabam usando menos energia para conservação da temperatura e uso de luz.

Energia e uso digital

Por estar em uma região desértica faz sentido que todos esses resorts e casas usem energia solar. De fato, está sendo construído o maior grid de armazenamento e distribuição de energia solar do mundo no Red Desert Project. O lugar tem, em média, 360 dias de sol por ano!

O cálculo é que, nos próximos 20 anos, a construção tenha impacto positivo de 30% na biodiversidade e no clima do local.  Toda a construção está usando o conceito dos digital twins para analisar os dados em tempo real e otimizar a obra de acordo com as informações de clima, uso e tempo. Além disso, o ecossistema marinho foi mapeado e o planejamento da construção conta com dados atualizados da fauna e flora subaquáticas. 

Inovação é investimento

O governo saudita utilizou o Public Investment Fund (PIF) para ser dono do The Red Sea Project. O PIF, por sua vez, é parte do Saudi Vision 2030, funcionando como o braço financeiro das construções e obras que o projeto apoia. A participação do governo é fundamental para que o megaprojeto se torne realidade, já que garante rapidez nas necessidades regulamentares das construções.Além do apoio do PIF, os bancos sauditas levantaram US$ 3,8 bilhões em forma de crédito verde para o The Red Sea Project. 

Em contrapartida, os hotéis e o complexo turístico nas ilhas devem criar cerca de 70 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. Outro ponto é que o megaprojeto deve colocar a Arábia Saudita no mapa do turismo sustentável. Ou seja, a colaboração entre governo e setor privado estão contribuindo para o desenvolvimento sustentável de uma área inteira.