planejamento urbano

O que é planejamento urbano e a sua importância para cidades do futuro?

O que é e qual a importância de se planejar cidades para o século 21.

20 de abril de 2022 - 4 minutos de leitura

Autor: Redação

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O planejamento urbano é o ponto central de discussões sobre o futuro das cidades e da mobilidade urbana no século 21. É a partir dele que as cidades são reconstruídas e que os cidadãos conseguem se reconectar com os espaços onde vivem. Mas, afinal, o que realmente é o planejamento urbano? Quais os seus objetivos e qual a sua importância no futuro das habitações?

Na teoria, o planejamento urbano é o processo que leva à criação e ao desenvolvimento de áreas urbanas. Nesse conceito, já estão embarcadas tanto o desenho de uma nova cidade ou bairro, como também a criação de soluções para trazer uma melhora na qualidade de vida dos cidadãos. Em outras palavras, o planejamento urbano está tanto na estrutura quanto no uso das cidades. 

O objetivo do planejamento urbano

O principal objetivo do planejamento urbano é planejar e construir espaços que diminuam os problemas vindos da urbanização, como poluição, congestionamentos, impactos ecológicos ou vazios urbanos. 

Embora muitos acreditem que o planejamento fica apenas no âmbito físico e estético das cidades, ele, na verdade, é um trabalho que exige previsão de futuro, análise de tendências, jogo político e conhecimento social.  Por isso, os profissionais da área precisam contar com uma variedade horizontal de conhecimentos de diferentes áreas, desde engenharia, passando por sociologia, geografia, administração, entre outras. 

Planejamento urbano veio à tona a partir do século 19

Mesmo já existindo na humanidade desde a Grécia antiga, a disciplina de planejamento urbano ficou mesmo conhecida no século 19, quando a revolução industrial trouxe fábricas e pessoas para as cidades e exaltou a necessidade de haver um desenho mais claro de cada função no ambiente urbano. Planejamentos como o feito em Barcelona, em 1850, ou o de Manhattan, de 1811, estão de pé até hoje. O remodelamento de Paris por Georges Haussmann, em 1854, também foi um marco para a discussão sobre o planejamento urbano como conceito.

No século 20,  o movimento moderno da arquitetura trouxe para os arquitetos a função clara de planejar cidades do zero. Em 1933, a Carta de Atenas, resultado do IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, discutiu como a arquitetura poderia criar cidades funcionais. Nela, há os conceitos de urbanismo e de planejamento urbano moderno. No documento redigido por Le Corbusier, a cidade é um organismo a ser concebido, e, tal qual o homem, deve ter as necessidades colocadas e resolvidas. A carta preconiza a divisão de áreas residenciais, de lazer e de trabalho – ação que foi logo colocada em prática no plano piloto da construção de Brasília/DF, em 1950. 

Planejamento urbano moderno entre em questionamento

cidade de brasilia

O planejamento urbano moderno, como o de Brasília, é preconizado pela carta de Atenas e se tornou a principal referência para o urbanismo no mundo durante quase todo o século 21. Nos anos 1980 e 1990, no entanto, ao perceber as cidades desconexas, espraiadas e com bairros, Jan Gehl (que entrevistamos no Habitability com exclusividade) trouxe um novo paradigma para o planejamento urbano: as cidades para as pessoas.

A principal crítica de Gehl à visão moderna do urbanismo era que este privilegia o carro como meio de transporte, deixando de lado o que fazia as pessoas, de fato, circularem pelas cidades. Outros planejadores urbanos contemporâneos também pensam diferente com relação ao adensamento, como é o caso de Larry Beasley, que trouxe de volta a verticalização e o adensamento para as áreas centrais de Vancouver, no Canadá. 

O novo planejamento urbano

Se para o planejamento urbano moderno o foco era criar novas cidades e bairros do zero, hoje os planejadores urbanos têm que lidar com a infraestrutura que já existe e remanejar a revitalização dos bairros. Outra adversidade que o planejamento urbano atual precisa lidar é com as mudanças climáticas. O que significa que, cada vez mais, as cidades precisam ser mais resilientes e mais voltadas para como podem promover a sustentabilidade e a habitabilidade. 

Há também novos desafios para o planejamento urbano atual, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em especial o ODS 11, que visa tornar as cidades e comunidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. Dessa forma, o planejamento urbano atual também precisa estar focado no acesso e na mobilidade, dando prioridade a transportes coletivos e não-poluentes, além de contemplar assuntos como equidade e segurança, já que tudo está na análise de como as pessoas habitam as cidades.

A prática no Brasil

No Brasil, o planejamento urbano sai do papel com apoio dos planos diretores dos municípios. “A lei brasileira determina que todo município com mais de 20 mil habitantes tenha um plano-diretor (PD), um documento-base que planeje o crescimento urbano, determinando quais parâmetros devem ser aplicados na ocupação do território durante um período de tempo. Normalmente, uma década”, explica a Universidade de São Paulo. O PD permite, por exemplo, o zoneamento da cidade – um fator essencial para determinar a forma como os cidadãos se deslocam no espaço urbano. Afinal, se uma zona fica limitada a residências, o normal é que haja um deslocamento de quem é desse bairro para o trabalho ou para lazer. O mesmo acontece com medidas de regulação, sempre no sentido de direcionar o futuro das cidades, como a limitação de vagas em estacionamentos. Ou seja, é a partir do plano-diretor que se norteia o desenvolvimento e o crescimento dos municípios, com objetivo de que ambas as coisas ocorram de forma ordenada, em prol de todos.