Do território à ciência: mulheres estão redesenhando o mundo

No Dia Internacional das Mulheres, Habitability reúne vozes que transformam cidades, políticas públicas, tecnologia e moradia em ferramentas de equidade

Por Marcia Tojal em 2 de março de 2026 4 minutos de leitura

Sônia Guimarães, física com PhD obtido na Inglaterra e especialista em semicondutores.
Sônia Guimarães, professora no Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA) e PhD em Física (Foto: Divulgação)

Há mulheres que desenham casas. Outras redesenham cidades. Algumas reconfiguram políticas públicas globais. Outras, ainda, reinventam o próprio significado de ciência e tecnologia. Com inspiração no Dia Internacional das Mulheres, revisitamos entrevistas que revelam algo em comum: quando mulheres ocupam o centro da decisão, o impacto ultrapassa a escala individual e transforma sistemas inteiros.

Entre arquitetura, ativismo, filantropia, ciência e urbanismo, essas vozes femininas mostram que o futuro sustentável também é uma construção feminina.

Ester Carro: arquitetura que nasce da vivência

Ester Carro
Ester Carro (Foto: Acervo pessoal)

Arquiteta e urbanista, Ester Carro, líder do Instituto Fazendinhando, transformou a própria experiência no Jardim Colombo, periferia de São Paulo, em motor de ação concreta.

Em entrevista ao Habitability, ela questiona a distância entre a “cidade ensinada” e a cidade vivida, defendendo que arquitetura social não é estética, mas dignidade. Reformas de moradias, reaproveitamento de materiais e soluções acessíveis tornam-se instrumentos de autonomia e pertencimento pelas mãos, coração e mente dela.

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Sua atuação dialoga diretamente com iniciativas como a da TETO Brasil, liderada por Camila Jordan, que também entende moradia como ponto de partida para romper ciclos de vulnerabilidade.

Camila Jordan: quebrando ciclos pela moradia

Camila Jordan
Camila Jordan (Foto: Acervo pessoal)

À frente da TETO Brasil, Camila Jordan lidera iniciativas que enxergam a moradia como ponto de partida para transformar realidades em comunidades vulneráveis. Construir casas, nesse contexto, significa também construir redes, cidadania e novas possibilidades.

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May East: e se as mulheres projetassem as cidades?

May East
May East (Foto: Reprodução/ Instagram)

Urbanista brasileira com atuação internacional, May East propõe uma pergunta provocadora: como seriam as cidades se fossem desenhadas a partir das necessidades reais da vida cotidiana?

Em conversa com o Habitability, ela defende que sustentabilidade não é apenas infraestrutura verde, mas também cuidado, convivência e inclusão. Cidades mais humanas são aquelas que consideram diversidade, mobilidade segura e redes de apoio.

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Sua visão se alinha à perspectiva de que arquitetura e urbanismo são também políticas de saúde — ideia defendida por Nadia Somekh.

Nadia Somekh: arquitetura é saúde pública

Nadia Somekh
Nadia Somekh (Foto: Divulgação)

Presidente do CAU/BR, Nadia Somekh defende que arquitetos são, também, profissionais de saúde. Para ela, planejamento urbano inadequado gera desigualdade, insegurança e impactos diretos no bem-estar coletivo. Ao conectar cidade e qualidade de vida, Nadia reforça que urbanismo é ferramenta de justiça social.

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Rebecca Tavares: equidade como estratégia de futuro

Rebecca Tavares
Rebecca Tavares (Foto: Acervo pessoal)

Diplomata e integrante do Conselho de Futuros Globais sobre Turismo Sustentável do Fórum Econômico Mundial, Rebecca Tavares tem trajetória marcada pela defesa dos direitos das mulheres e da diversidade étnico-racial, inclusive como ex-Representante Regional da ONU Mulheres.

Em entrevista ao Habitability, ela destaca que filantropia estratégica não é caridade: é investimento estrutural na democracia e na ampliação de oportunidades.

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O debate se conecta a reflexões mais amplas sobre poder feminino, que você pode conferir aqui.

Helena Granitoff: liberdade, ecologia e autogovernança

Helena Granitoff
Helena Granitoff (Foto: Acervo pessoal)

Bioarquiteta e permacultora formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Helena Granitoff articula arquitetura e modos de vida sustentáveis. Em sua trajetória por comunidades rurais e indígenas, defende que liberdade e ecologia são inseparáveis. Para ela, sustentabilidade começa na forma como organizamos nossas relações com a natureza e entre nós.

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Seu pensamento encontra eco em experiências internacionais como a da arquiteta paquistanesa Yasmeen Lari.

Yasmeen Lari: arquitetura como ativismo

Yasmeen Lari
Yasmeen Lari (Foto: Divulgação)

Primeira mulher arquiteta do Paquistão e conselheira da Organização das Nações Unidas (ONU), Yasmeen Lari reposicionou a prática arquitetônica: trocou obras monumentais por reconstrução comunitária e soluções de baixo carbono.

Sua atuação demonstra que arquitetura pode ser instrumento direto de resiliência e autonomia para populações vulneráveis.

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Audrey Carolini: raça, espaço e responsabilidade

Audrey Carolini sentada em uma cadeira moderna, com cabelo trançado e vestido azul claro, em um ambiente com parede de tijolos brancos
Audrey Carolini (Foto: Amanda Bibiano)

Arquiteta negra, urbanista e fundadora de seu próprio estúdio, Audrey Carolini conecta prática, pesquisa e docência para questionar quem ocupa o imaginário urbano. Além disso, faz parte do coletivo Arquitetas Negras que busca mapear a produção de mulheres arquitetas.

Em sua entrevista, ela tensiona as estruturas raciais presentes no desenho das cidades e propõe uma arquitetura consciente de seu papel sociocultural.

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Sônia Guimarães: o futuro da ciência é ancestral e africano

Professora do ITA e pioneira como primeira mulher negra docente da instituição, Sônia Guimarães é física com PhD obtido na Inglaterra e especialista em semicondutores.

Na entrevista ao Habitability, ela relaciona tecnologia, ancestralidade e inclusão, defendendo que ciência só é verdadeiramente inovadora quando amplia acesso e diversidade.

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Um futuro que já começou

Das periferias paulistanas aos fóruns globais, das aldeias amazônicas aos laboratórios de física, essas mulheres demonstram que sustentabilidade é também visão de mundo. E quando mulheres ocupam espaços de decisão, a transformação deixa de ser promessa e passa a ser prática.

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