Há mulheres que desenham casas. Outras redesenham cidades. Algumas reconfiguram políticas públicas globais. Outras, ainda, reinventam o próprio significado de ciência e tecnologia. Com inspiração no Dia Internacional das Mulheres, revisitamos entrevistas que revelam algo em comum: quando mulheres ocupam o centro da decisão, o impacto ultrapassa a escala individual e transforma sistemas inteiros.
Entre arquitetura, ativismo, filantropia, ciência e urbanismo, essas vozes femininas mostram que o futuro sustentável também é uma construção feminina.
Ester Carro: arquitetura que nasce da vivência

Arquiteta e urbanista, Ester Carro, líder do Instituto Fazendinhando, transformou a própria experiência no Jardim Colombo, periferia de São Paulo, em motor de ação concreta.
Em entrevista ao Habitability, ela questiona a distância entre a “cidade ensinada” e a cidade vivida, defendendo que arquitetura social não é estética, mas dignidade. Reformas de moradias, reaproveitamento de materiais e soluções acessíveis tornam-se instrumentos de autonomia e pertencimento pelas mãos, coração e mente dela.
Sua atuação dialoga diretamente com iniciativas como a da TETO Brasil, liderada por Camila Jordan, que também entende moradia como ponto de partida para romper ciclos de vulnerabilidade.
Camila Jordan: quebrando ciclos pela moradia

À frente da TETO Brasil, Camila Jordan lidera iniciativas que enxergam a moradia como ponto de partida para transformar realidades em comunidades vulneráveis. Construir casas, nesse contexto, significa também construir redes, cidadania e novas possibilidades.
May East: e se as mulheres projetassem as cidades?

Urbanista brasileira com atuação internacional, May East propõe uma pergunta provocadora: como seriam as cidades se fossem desenhadas a partir das necessidades reais da vida cotidiana?
Em conversa com o Habitability, ela defende que sustentabilidade não é apenas infraestrutura verde, mas também cuidado, convivência e inclusão. Cidades mais humanas são aquelas que consideram diversidade, mobilidade segura e redes de apoio.
Leia a entrevista completa
Sua visão se alinha à perspectiva de que arquitetura e urbanismo são também políticas de saúde — ideia defendida por Nadia Somekh.
Nadia Somekh: arquitetura é saúde pública

Presidente do CAU/BR, Nadia Somekh defende que arquitetos são, também, profissionais de saúde. Para ela, planejamento urbano inadequado gera desigualdade, insegurança e impactos diretos no bem-estar coletivo. Ao conectar cidade e qualidade de vida, Nadia reforça que urbanismo é ferramenta de justiça social.
Rebecca Tavares: equidade como estratégia de futuro

Diplomata e integrante do Conselho de Futuros Globais sobre Turismo Sustentável do Fórum Econômico Mundial, Rebecca Tavares tem trajetória marcada pela defesa dos direitos das mulheres e da diversidade étnico-racial, inclusive como ex-Representante Regional da ONU Mulheres.
Em entrevista ao Habitability, ela destaca que filantropia estratégica não é caridade: é investimento estrutural na democracia e na ampliação de oportunidades.
O debate se conecta a reflexões mais amplas sobre poder feminino, que você pode conferir aqui.
Helena Granitoff: liberdade, ecologia e autogovernança

Bioarquiteta e permacultora formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Helena Granitoff articula arquitetura e modos de vida sustentáveis. Em sua trajetória por comunidades rurais e indígenas, defende que liberdade e ecologia são inseparáveis. Para ela, sustentabilidade começa na forma como organizamos nossas relações com a natureza e entre nós.
Seu pensamento encontra eco em experiências internacionais como a da arquiteta paquistanesa Yasmeen Lari.
Yasmeen Lari: arquitetura como ativismo

Primeira mulher arquiteta do Paquistão e conselheira da Organização das Nações Unidas (ONU), Yasmeen Lari reposicionou a prática arquitetônica: trocou obras monumentais por reconstrução comunitária e soluções de baixo carbono.
Sua atuação demonstra que arquitetura pode ser instrumento direto de resiliência e autonomia para populações vulneráveis.
Audrey Carolini: raça, espaço e responsabilidade

Arquiteta negra, urbanista e fundadora de seu próprio estúdio, Audrey Carolini conecta prática, pesquisa e docência para questionar quem ocupa o imaginário urbano. Além disso, faz parte do coletivo Arquitetas Negras que busca mapear a produção de mulheres arquitetas.
Em sua entrevista, ela tensiona as estruturas raciais presentes no desenho das cidades e propõe uma arquitetura consciente de seu papel sociocultural.
Sônia Guimarães: o futuro da ciência é ancestral e africano
Professora do ITA e pioneira como primeira mulher negra docente da instituição, Sônia Guimarães é física com PhD obtido na Inglaterra e especialista em semicondutores.
Na entrevista ao Habitability, ela relaciona tecnologia, ancestralidade e inclusão, defendendo que ciência só é verdadeiramente inovadora quando amplia acesso e diversidade.
Um futuro que já começou
Das periferias paulistanas aos fóruns globais, das aldeias amazônicas aos laboratórios de física, essas mulheres demonstram que sustentabilidade é também visão de mundo. E quando mulheres ocupam espaços de decisão, a transformação deixa de ser promessa e passa a ser prática.